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A programação do IV Encontro Brasileiro de Educomunicação já está disponível. O evento contará com 4 mesas redondas, 20 painéis e 78 papers.

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Programação prevista

25 de outubro

Local - Auditório da Editora Paulinas (Vila Mariana)

08h00 - 09h00: Credenciamento/ Recepção

09h15 - 10h15: Abertura - Entrega do Prêmio Mariazinha Fusari de Educomunicação

10h30 - 12h30: Mesa Redonda 01

Educomunicação: Protagonismos sem Fronteiras

                    - Muniz Sodré (UFRJ - autor do livro "Reiventando a Educação")
                    - Fernando José Almeida (Fundação Padre Anchieta)
                    - Tatiana Jereissati (Comitê Gestor da Internet no Brasil)
                    - Ismar de Oliveira Soares (ABPEducom)

12h30 - 13h45: Almoço

14h00 - 15h45: Painéis (de 1 a 4)


Painel 01 – Diversidade, Etnia e Educomunicação

(Mediação: Maria Cristina Mungioli)

 

- Etnomidialogia em abordagem educomunicativa
(Ricardo Alexino Ferreira  - Licenciatura em Educomunicação-USP e Neinb)

 

Esta pesquisa parte do princípio que a mídia tem poder de reforçar os conceitos sociais vigentes, inclusive a manutenção do status quo, mas também nota-se que ela tem potencial para fazer a reversão de conceitos discriminatórios e excludentes. No entanto, para que o processo de reversão ocorra é necessário introduzir nos cursos de Comunicação Social a questão da neo-cidadania e da diversidade. Um procedimento que não deve estar condicionado apenas a uma única disciplina, mas a um projeto pedagógico que tem como princípio a inter e multidisciplinaridade. Para que de fato isso ocorra, enquanto projeto pedagógico, é necessário que os cursos de Comunicação Social passem a reconstruir o seu campo teórico a partir dos novos elementos que se apresentam na atualidade como olhar diferenciado para o Terceiro Setor, compreensão político-social dos movimentos sociais como organizações que pautam o poder constituído e a própria mídia e o acréscimo sistêmico de novas produções bibliográficas e referenciais que apontam para o fenômeno social da diversidade, tendo como foco a construção de uma mídia comprometida com a inclusão e geradora de espaço para os neo-cidadãos em uma perspectiva educomunicativa. Nesse contexto, utiliza-se aqui o termo Etnomidialogia, que tem como base de construção conceitual o entendimento dos fenômenos sociais, culturais e políticos dos diferentes segmentos da sociedade (mais precisamente os grupos sócio-acêntricos) a partir das suas representações pela mídia e também de suas auto-representações em produções midiáticas próprias.

 

 

- Educomunicação e o ensino de História e Cultura Africana e Afrobrasileira - Lei Federal 10.639/03
(Dilma de Melo Silva  - ECA/USP e Neinb)

A luta da sociedade civil em torno de uma prática cidadã baseada numa perspectiva multicultural levou à aprovação de dispositivos legais que dá sustentação a programas de ensino voltados para facilitara às novas gerações o estudo da história das culturas africana e afrobrasileira, assim como da cultura indígena. A educomunicação apresenta-se como um procedimento que, a um só tempo, a) permite que os alunos se aproximem do tema e o dominem e b) exerçam sua cidadania comunicativa ao expressar-se sobre ele.

 

- A afrobrasilidade na perspectiva educomunicativa
(Paola Prandini  - Afroeducação e NCE-USP)

Este artigo tem como objetivo apresentar a Educomunicação como processo metodológico para a implementação da Lei Federal nº 10.639/03 que, por sua vez, instituiu como obrigatório o ensino da história e cultura africana e afrobrasileira nos currículos dos Ensinos Fundamental e Médio das escolas brasileiras. A partir das experiências acumuladas pela consultoria AfroeducAÇÃO, pretende-se revelar os desafios e possibilidades da interrelação entre comunicação, cultura negra e educação. Nesse sentido, este artigo é composto por um relato acerca das necessidades que levaram à aprovação da Lei Federal nº 10.639/03, bem como por uma demonstração de como somente a Educomunicação demonstra-se ser um caminho possível para a efetiva aplicação da referida lei nos diversos âmbitos educacionais brasileiros.

 

 

- De los paradigmas multiculturales a la acción educativa autogestionaria: la experiencia de la Licenciatura en Etnoeducación y Desarrollo Comunitario de la Universidad Tecnológica de Pereira en las comunidades indígenas Emberá-Chamí de Mistrató y Riosucio
(Martha Lucia Izquierdo Barrera – UTP, Colômbia)

A apresentação terá como objetivo apresentar a experiência da Universidade Tecnológica de Pereira, na Colômbia, no sentido de criar e implementar um curso voltado a formar especialistas que entendam e possam atuar profissionalmente na interface entre “etnoeducação” e “desenvolvimento comunitário”. O espaço de pesquisa e de atuação imediata é propiciado pelo convívio com a comunidades Emberá-Chamaní de Mistrató e Riosucio.

 


 

Painel 02 – Reflexão epistemológica sobre o campo da educomunicação I

(Mediação: Liana Gottlieb)

 

- Educomunicação nos centros de pesquisa do país: um mapeamento das teses e dissertações disponíveis no banco de teses da Capes
(Rose Mara Pinheiro)

O artigo apresenta um mapeamento da Educomunicação a partir de 97 teses e dissertações sobre o tema disponíveis no banco de teses da Capes, entre os anos de 1998 a 2011. O objetivo é traçar o percurso de legitimação do novo campo, enfatizando a presença e a influência da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), que reúne 32 trabalhos do total disponível no banco de teses da Capes. Também é realizada uma comparação da produção acadêmica dos programas de pós-graduação em Comunicação (PPGCOM) e Educação (PPGE) sobre a inter-relação Comunicação/Educação. O que se percebe de uma maneira mais clara, numa síntese dos trabalhos, é que os principais conceitos, projetos e abordagens pesquisados e desenvolvidos na ECA-USP ultrapassam os muros da ‘cidade universitária’ conquistando novas roupagens e visões mais abrangentes nos centros de pesquisa do país, inclusive atingindo outras áreas do conhecimento, como Direito, Engenharia e Ciências Florestais e Ambientais.

 

 

- Revista Comunicação & Educação – a emergência de uma interface entre duas áreas do conhecimento
(Juliana Winkel Marques dos Santos)

Elaborado a partir do desenvolvimento de dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da ECA-USP, o paper traça e discute a trajetória editorial da revista Comunicação & Educação, publicação semestral do Departamento de Comunicações de Artes da ECA-USP, como veículo de discussão prática, profissional e acadêmica a respeito da interface entre a comunicação e a educação. O estudo tem como base teórica as discussões sobre o surgimento, a emergência e a consolidação dessa interface – seus processos, bases conceituais e aplicações – à luz da análise editorial da revista. Dessa forma, por meio do acompanhamento história da publicação, pretende mostrar como se reflete, nesta, a evolução das discussões a respeito do campo de que trata e que também ajuda a construir.

 

 

- Interface comunicação - aprendizagem: condições para a gestão da Educomunicação
(Eduardo Monteiro)

O artigo constará de um resmo de pesquisa de doutorado que estuda a condição de convergência entre modalidades de comunicação e modalidades de aprendizagem em intervenções de caráter educomunicativo, considerando os fatores de tangibilidade e possíveis indicadores para seus modelos de gestão em perspectiva de escala – típicas das novas ambiências sociais de comunicação e educação. A partir da hipótese central da relação de contiguidade sistêmica entre processos de comunicação e de aprendizagem, trabalhada em perspectiva sociointeracionista, o estudo abrange os aspectos de cientificidade e a fundamentação teórica e epistemológica da abordagem educomunicativa. Este procedimento levou à proposição de um modelo metodológico de gestão de base sistêmica para a Educomunicação. E resultou na elaboração de um experimento metodológico, incorporando princípios e conceitos próprios da Educomunicação. O experimento foi aplicado em uma rede social digital projetada para a formação de professores do ensino público, especificamente sobre as ações de formação de agentes mediadores. Seu desenho apontou a resolução de alguns dos complexos problemas de gestão educativa do desenvolvimento de capacidades comunicativas e, ao mesmo tempo, forneceu subsídios substanciais para a verificação do sistema teórico de hipóteses. Palavras-chave: educomunicação, midiaeducação, gestão, comunicação, educação, aprendizagem, indicadores.

 

 

- La relación de comunicación y educación desde la perspectiva de la Universidad Tecnológica de Pereira, Colombia
(Mónica Villanueva Urrea)

Esta propuesta pretende aportar elementos teóricos para la discusión que se ha venido dando en América Latina sobre la relación de comunicación y educación, Edu-comunicación como un campo de estudio que navega en la reflexión entre pedagogía de la comunicación y didáctica de los medios. La comunicación y la educación son dos términos que se consideran fundamentales desde sus independencias y sus relaciones para comprender la praxis social y su relación con los procesos de desarrollo y construcción de ciudadanías que se enfrentan a las nuevas formas de comunicar y de coexistir en este nuevo mundo globalizado. Bajo este supuesto, ésta ponencia tiene como objetivo un acercamiento teórico a estos dos conceptos, que en principio, son considerados como procesos independientes donde se toma la educación con sus métodos y técnicas y la comunicación desde la aplicación de los medios. Asimismo se abordan las aproximaciones conceptuales, los saberes históricos de la relación y las aplicaciones que han acercado a teorizar este campo.

 


 

Painel 03 – Gestão da comunicação em espaços públicos de educação

(Mediação: Cláudia Lago)

 

Atualização da Lei Educom: ampliando as linguagens com fidelidade aos princípios
(Silene de Araújo Gomes Lourenço; Paola Prandini e Carlos Alberto Mendes de Lima)

No primeiro semestre de 2012, a convite do vereador Carlos Neder, autor do projeto de lei que instituiu o Programa Educom – Educomunicação Nas Ondas do Rádio no Município de São Paulo (Lei 13.941/04), um grupo de educadores reuniu-se na Câmara Municipal para discutir os pontos que estão defasados tendo em vista a atualização da Lei. Nesse artigo vamos analisar as propostas em discussão à luz dos projetos em desenvolvimento nas escolas das redes municipais e dos cursos de formação continuada oferecidos aos educadores pela Secretaria Municipal de Educação, sem perder de vista os princípios epistemológicos da Educomunicação que, entre outras coisas, opõe-se à visão puramente instrumental e dogmática do uso das tecnologias na Educação.

 

Lei Educom: mercado de trabalho ampliado para os futuros educomunicadores
(Delcimar Bessa Ferreira e Marcelo Augusto Pereira dos Santos)

A Lei Municipal n. 13.941/04, mais conhecida como “Lei Educom” da Prefeitura de São Paulo foi pioneira na questão da legislação sobre a Educomunicação em uma rede pública de ensino. Agora, em 2012, está em discussão na Câmara a atualização da matéria com a finalidade de incluir o uso de novas tecnologias na prática pedagógica do programa, bem como permitir ampliar a área de articulação com as demais secretarias municipais paulistanas. Este paper a ser apresentado pelos autores busca refletir sobre este novo mercado de trabalho que se amplia para os futuros profissionais educomunicadores e as possibilidades que podem ser criadas com a aprovação dessa lei para a implementação em novas áreas de governo. Além disso, pode servir para que outros municípios brasileiros se inspirem nesta mesma lei como uma referência para a adoção de políticas públicas para a Educomunicação.

 

 

As contribuições da educomunicação para a Prova Brasil na perspectiva do Programa Mais Educação, do MEC
(Daniele Próspero)

O País desenvolve, desde 2008, o Programa Mais Educação, que visa promover a educação integral das crianças e adolescentes. As escolas participantes do Mais Educação são as que apresentam o IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) abaixo da média nacional. A proposta é promover mudanças no processo de ensino e aprendizagem, visando à melhoria da educação e, assim, o aumento do IDEB. Para que isto ocorra é necessária uma incidência na Prova Brasil, avaliação base para cálculo do índice. Tendo em vista que a Educomunicação é parte do Programa, como perspectiva norteadora do macrocampo “Comunicação e Uso de Mídias”, torna-se relevante pesquisar se e de que forma as atividades desta área podem contribuir para o processo de ensino e aprendizagem, diretamente relacionado à Prova Brasil. O artigo irá apresentar uma análise entre os pressupostos das atividades educomunicativas e os descritores da Matriz de Referência da Prova, que apontam as competências e habilidades dos alunos em cada um dos itens a serem avaliados.

 

 

Projeto Imprensa Jovem: diálogos entre Educação e Comunicação na rede de ensino municipal da cidade de São Paulo
(Kelly Victor)

Esta pesquisa analisará as produções escritas dos alunos participantes do Projeto Imprensa Jovem. O projeto consiste na organização de equipes de alunos que discutem, criam pautas e realizam coberturas jornalísticas na escola, na comunidade e em eventos da cidade. São utilizadas as tecnologias da informação e comunicação – principalmente por intermédio do computador, do software livre e da internet – para viabilizar produções desenvolvidas pelos alunos e publicá-las em blogs, sites e redes sociais. A pesquisa pretende responder ao seguinte questionamento: como, e em quais aspectos, as atividades pedagógicas educomunicativas desenvolvidas no projeto Imprensa Jovem potencializam, ou não, a produção escrita dos alunos? Supõe-se que as atividades desenvolvidas com o uso das tecnologias de informação e comunicação melhoram a escrita dos alunos, visto que estes ficariam estimulados a participar de atividades pedagógicas que, sem dúvida, os convidariam a ler e escrever. A investigação será realizada na Escola Municipal Professor Primo Páscoli Melaré. Os fundamentos teóricos da pesquisa são principalmente os textos de Ismar Soares que discorrem sobre o conceito e a aplicação da educomunicação no ambiente educativo. Também serão referência os estudos de Pierry Levy, José Armando Valente e Maria Elizabeth Bianconcini, que delimitaram pesquisas e análises acerca das tecnologias de informação e comunicação e os impactos que elas traduzem nas aprendizagens e na maneira de conceber o conhecimento.

 

 


 

Painel 04 – Pedagogia da comunicação I

(Mediação: Marciel Consani)

 

O processo das produções midiáticas populares juvenis e a comunicação comunitária, Belo Horizonte
(Monique Torres de Oliveira e José de Sousa Miguel Lopes)

Esta dissertação será resultado de uma pesquisa que está sendo realizada com jovens. Investigaremos o significado que os sujeitos envolvidos na produção das mídias comunitárias em uma ONG em Belo Horizonte atribuem a elas em seus contextos sociais e de formação humana. O presente estudo é composto pela concepção das seguintes categorias: juventudes, mídias, educação e ONGs. Valendo-se de um estudo de caso, por meio de questionários, entrevistas semi estruturadas, observação participante, análise documental e das conversas por email, tentaremos entender qual a apreensão e a influência que essas mídias têm nos comportamentos e subjetividades dos entrevistados . Assim como o modo com que elas contribuem para a inserção da juventude no mercado de trabalho. Outro fator preponderante a ser analisado diz respeito à dimensão comunicativa das produções midiáticas populares criadas pelos que participam dos projetos da ONG.

 

 

Pensar a mídia e a educação nas escolas das ilhas de Guaraqueçaba-PR
(Graciele Cardoso Lukasak; Paulo Ricardo do Rosário de Carvalho e Fábio de Carvalho Messa)

A intervenção e o desenvolvimento dos meios em massa de comunicação nos espaços escolares e privados, tem implicado mudanças na configuração das subjetividades e relações sociais, e tem mostrado formas outras de produzir a cultura e interatuar com ela. Para além dos textos escritos, os quais constituíram a base tecnológica para o desenvolvimento do pensamento analítico e crítico, caracterizados por um modo de representação peculiar da imagem em todas suas expressões, transgride as formas de percepção tradicionais para dar passo a outras novas (Varela, 2002), as quais têm importantes e diversas repercussões cognitivas, motivacionais e afetivas. Neste contexto, esse trabalho visa enfatizar a relevância de uma preparação para formar indivíduos capazes de interatuar de maneira responsável, meditada e cautelosa com os meios de comunicação, principalmente quando fala-se no âmbito da educação.

 

Mulheres idosas ensinam e aprendem produzindo audiovisual
(Marta Kawamura Gonçalves e Aida Victoria Garcia Montrone)

Partindo da percepção de que as pessoas idosas carecem de espaço para expressar-se em nossa sociedade, ao passo que a comunicação é direito universal, buscamos compreender os significados que mulheres idosas inseridas na produção audiovisual atribuem a esta atividade. Pretendemos neste trabalho descrever a produção audiovisual na perspectiva das cinco mulheres que participam de uma oficina de vídeo oferecida no Centro de Referência do Idoso de São Carlos (SP), conduzida na perspectiva da educomunicação. Tendo vivenciado processos educativos decorrentes da criação coletiva, as participantes manifestam contentamento diante da oportunidade de viver novos aprendizados e da possibilidade de contestar estereótipos atribuídos ao envelhecimento. A constatação de sua capacidade de criar e produzir vídeos, bem como o auto-reconhecimento nas obras criadas, vem trazendo acréscimos à autoestima das mulheres, que as fortalecem para o enfrentamento das situações-limite que vivenciam no dia-dia.

 

Núcleo Diaporama de Comunicação
(Cassios Clei Pinheiro Nogueira e Fredy Matos)

Criada em 2006, a oficina de audiovisual do GAMT (Grupo de Assessoria e Mobilização de Talentos) passou por várias transformações. Há 3 anos com o melhor entendimento e apropriação de práticas educomunicativas, os projetos vivenciados pelos jovens tomou um novo formato através da concepção do Núcleo Diaporama de Comunicação (NDC). Um espaço de interação e diálogo! Esses são os valores fundamentais exercitados nas atividades do NDC que, através dos conceitos da educomunicação, diluídos no uso da linguagem audiovisual, busca priorizar o momento do encontro. O encontro do jovem consigo mesmo. O nome “Diaporama” (projeção de diapositivos com som sincronizado) sintetiza a escolha da linguagem onde o jovem se utiliza para transmitir sua mensagem. O NDC busca promover o entendimento sobre as novas tecnologias de informação e comunicação e, sobretudo, a criação de um espaço freqüente de diálogo com os temas transversais e valores que interferem no processo de formação dos jovens. 

 

 

16h00-17h30 - Painéis (de 5 a 8)


 

Painel 05 – Gestão da comunicação em espaços privados de educação

(Mediação: Alexandre Sayad)

 

Educomunicação na organização educativa salesiana, na América Latina
(Antônia Alves Pereira, Ismar de Oliveira Soares e Ivone Yared)

A Educomunicação está presente nas escolas salesianas desde o ano 2000 quando foi construída a Proposta de Educomunicação para a Família Salesiana com a assessoria do Núcleo de Comunicação e Educação (NCE-USP). Desde então, a organização vem construindo um referencial educomunicativo para as redes salesianas de educação em nível mundial, continental e brasileiro. No Brasil, a Rede Salesiana de Escolas assume o paradigma educomunicativo, abrindo possibilidades em seu material didático. Foram esses dados que a pesquisa de mestrado sobre a Educomunicação e a Cultura Escolar Salesiana constatou ao investigar o percurso histórico, epistemológico e comunicativo na inter-relação Comunicação/Educação. Simultaneamente, a proposta, assumida no continente americano, chegou às lideranças mundiais que propôs a releitura de seu sistema de ensino, Sistema Preventivo, baseado na razão, no amor e na ética cristã a partir da Educomunicação, de maneira processual.

 

Educomunicação no Colégio Bandeirantes: Idade Mídia: a comunicação reinventada na escola
(Marina Consolmagno)

O texto apresenta o relato de uma experiência educomunicativa praticada há 11 anos no Colégio Bandeirantes: o curso Idade Mídia. Adotando os veículos de informação como ferramentas importantes na construção do conhecimento, o curso proporciona aos jovens vivências interdisciplinares e colaborativas que estimulam o uso de diversas mídias. Atividades variadas permitem aos alunos conhecer o cotidiano e as responsabilidades dos profissionais da área de comunicações e jornalismo. Além disso, os jovens refletem sobre a profusão de informações que caracteriza a nossa sociedade, ampliam seu conhecimento sobre novas mídias e se mantêm conectados aos aspectos mais relevantes da vida cultural. A meta do curso é a elaboração de um produto de comunicação, cujas características são decididas pelo grupo: tipo de produto, público-alvo, linguagem, temas que serão abordados, aspecto visual, organização para a produção, distribuição etc. Ao longo dos trabalhos, os jovens repórteres desenvolvem: a capacidade de interagir em grupo, o senso de responsabilidade e de prontidão para atingir objetivos coletivos, valores como o respeito às diferentes opiniões e à diversidade de culturas. 

Educomunicação nas Obras Sociais Maristas: O projeto Jovens educomunicadores
(Emerson Aparecido de Souza)

A oficina de educomunicação integra o serviço de apoio socioeducativo, desenvolvido no Centro Social Marista Ir. Justino, atuando de forma interdisciplinar com as demais oficinas, alinhado ao campo teórico da educomunicação, com a proposta de desenvolver nos educandos uma análise crítica e reflexiva sobre os diversos meios de comunicação, deixando de ser meros espectadores para tornarem produtores dos seus próprios meios de expressão, por meio de elaboração de jornais impressos, produção de telejornais, documentários, com o objetivo de fortalecer a comunicação local.

 

Dante Alighieri em Foco: a oficina que aprende, protagoniza e ensina
(Valdenice Minatel Melo de Cerqueira; Barbara Endo; Felipe Guerra e Verônica Martins Cannatá)

O presente trabalho relata a trajetória de uma oficina extracurricular de jornalismo e produção multimídia para alunos do Fundamental II (6º a 9º ano) e Ensino Médio, em uma escola particular da cidade de São Paulo. Tal iniciativa preconiza a produção de conteúdos por parte dos alunos para diferentes mídias (digital e impressa), além de promover uma discussão sobre uso e possibilidades das redes sociais suportadas pela WEB 2.0. O contexto da oficina e deste trabalho traz subjacente a ideia da escola que ensina e aprende a partir do momento em que se coloca como um espaço legítimo, no qual diferentes saberes (de alunos e de professores) se interconectam e reconfiguram o currículo prescrito em um currículo vivido, este necessário não somente para uma escola melhor, mas também para uma vida melhor.

 


 

Painel 06 – Educomunicação e o mundo da expressão artística

(Mediação: Fabiana Grieco)

 

Iconografia dos Remanescentes de Quilombo de Pedro Cubas do Vale do Ribeira –SP: processos de iniciação educomunicativos
(José Victor Marchi)

Desenvolvimento de pesquisa de campo através de métodos (n) etnográficos, registros audiovisuais e produção iconografica em processos de iniciação educomunicativos com membros das comunidades remanescentes de quilombos de Pedro Cubas no Vale do Ribeira, no sul do Estado de São Paulo. Busca-se construir um conjunto de ações colaborativas para orientar a realização de um documentário e práticas educomunicativas que expresse as tensões da vida cotidiana com a marca inevitável da singularidade de suas origens históricas.

 

Occupy Wall Street e a Ideologia do Cotidiano
(Delcimar Bessa Ferreira)

Este artigo se propõe a elucidar a gênese do movimento “Occupy Wall Street” pela ótica da Ideologia do Cotidiano proposta pelo filósofo Mikail Bakhtin, em seu livro: “Marxismo e a Filosofia da Linguagem: Problemas Fundamentais do Método Sociológico na Ciência da Linguagem”. Para interpretar Bakhtin, o autor escolheu Valdemir Miotello, que é um estudioso do filósofo russo e já produziu algumas publicações sobre o tema. A correlação entre o movimento, que surgiu inspirado em outras iniciativas como a chamada “Primavera Árabe e os movimentos de acampados na Espanha, e a ideologia discutida por Bakhtin parece bem apropriada para entender o discurso oficial e o constituído pelos atores sociais. A análise comparativa dos discursos jornalísticos de The New York Times e do Portal Estadão complementam o ensaio.

 

Instituto Choque Cultural: uma proposta pedagógica educomunicativa aplicada à Arte
(Raquel Ribeiro dos Santos)

O presente trabalho propõe apresentar a experiência do Eduqativo – Instituto Choque Cultural, instituição criada a partir da implantação do projeto de conclusão da especialização em Gestão da Comunicação: Políticas, Educação e Cultura junto ao Departamento de Comunicações e Artes da Escola de Comunicações e Artes da USP. Descreveremos a trajetória dessa experiência em Educomunicação aplicada à arte, do seu início com o projeto de gestão da comunicação da Galeria e Editora Choque Cultural elaborado por ocasião da conclusão da especialização até a constituição jurídica do Eduqativo - Instituto Choque Cultural, o conceito que relaciona Educação, Comunicação e Arte, as conquistas, os desafios e os resultados alcançados ao longo de 2 ano a partir de suas quatro áreas de atuação: novos métodos de educação através da arte; laboratório de novas práticas urbanas; incubadoras de artistas e projetos; e produção de conteúdo.

 

O brinquedo como extensão/coisificação midiática
(Letícia dos Santos Marques e Deborah Heverlyn)

O brinquedo como extensão / coisificação midiática Quando falamos em brinquedos, muitas questões podem ser abordadas, como intensificação da produção em grande escala e divulgação dos produtos ao público. Objetos lúdicos são materializações de imagens de personagens midiáticas do universo infantil. Num sistema em que crianças, e adultos, precisam ser conquistados, o papel da mídia é a exposição e divulgação dos brinquedos. Trabalhamos com crianças em uma escola e toda sexta-feira temos o dia do brinquedo, é quando o objeto preferido das crianças é levado á escola. Impressionante o número de brinquedos com rostos famosos, personagens de filmes, e desenhos. É difícil ver um brinquedo sem ter a imagem associada a um ícone do teleconsumismo. Parece não existir mais a boneca-boneca, e sim boneca-fulana de tal. Uma simples boneca perde a graça se não tiver o rosto de uma celebridade. Quanto mais atual for, maior o ar de engrandecimento da criança e sua popularidade na escola.

 


 

Painel 07 – Mediação tecnológica em espaços educativos I

(Mediação: Cristiane Parente)

 

Educomunicação e os Espaços Hipermidiáticos: experiência em aula da Licenciatura em Educomunicação da ECA-USP
(Luci Ferraz de Mello)

Desenvolvido a partir das premissas do campo da Educomunicação, a autora apresenta uma experiência de aproximação do referido campo junto à proposta do conceito de Hipermídia, para a construção de espaços educativos de convergência midiática. O objetivo deste relato é destacar a importância de se pensar a montagem desses espaços com base nas práticas interativas e dialógicas que se pretende desenvolver ao longo do processo de ensino aprendizagem, de maneira a se buscar escolher mídias diversas que se integrem e, consequentemente, que permitam a construção de um diálogo reflexivo mais consistente entre todos os participantes. Para exemplificar a proposta, a autora apresenta a experiência em andamento de um espaço educacional fechado, construído junto ao ambiente virtual do Facebook, voltado aos debates complementares da disciplina "Práticas em Comunicação em Rede", do curso "Especialização em Educomunicação", oferecido pelo Departamento de Ciências da Comunicação, da Escola de Comunicações e Artes, da Universidade de São Paulo. Trata-se de uma experiência em que os alunos utilizaram o referido ambiente virtual em momentos síncronos, na própria sala de aula presencial, debatendo por escrito com seus colegas sobre o que estava sendo apresentado pelos professores da disciplina, e assíncronos, quando os participantes, no geral ou reunidos em grupos menores, trocavam ideias e experiências para desenvolvimento de atividades específicas.

 

A Utilização Didática do Ambiente Virtual no Ensino Fundamental
(Christian de Mello Sznick; Beatriz Luiza Matias Moreno e Débora Deorio)

Este trabalho tem como objetivo avaliar experiências de ensino-aprendizagem utilizando as tecnologias de informação e comunicação, neste caso uma plataforma e-learning. A partir da progressão do educando em uma Matriz Curricular marcada por competências e habilidades a serem adquiridas, aborda-se o professor, de diferentes áreas que se utilizam das tecnologias como recurso, enquanto mediador do processo educacional e a expectativa que o aluno atinja a sua autonomia de aprendizagem como ser social. O uso de uma plataforma de aprendizagem no Ensino Fundamental regular desde as séries iniciais é enfocado no trabalho como experiência a ser reproduzida em diversas Unidades Escolares, de forma a complementar ou interagir com estudo em sala de aula dado a finalidade da modalidade que obrigatoriamente é oferecida presencialmente para as crianças e jovens.

 

A Educomunicação no Projeto "Alunos em Rede - Mídias Escolares", Porto Alegre
(Franciene Zarpelon Corrêa)

Existe aqui o objetivo de refletir e problematizar sobre a configuração das práticas educomunicativas no processo de produção radiofônica do projeto “AlemRede”[1], desenvolvido em Porto Alegre (RS). Inicialmente, considero alguns referenciais teóricos de constituição da inter-relação comunicação e educação, a partir de autores como Freire (1981, 1983), Kaplún (2001, 2006) e Soares (2006, 2008). Com inspiração na fase metodológica, apresento sinalizações advindas da pesquisa exploratória, que contou com a caracterização do contexto relacionado ao projeto “AlemRede” e também da pesquisa sistemática, realizada a partir do estudo empírico direcionado a uma das escolas integrada a este projeto. Esses movimentos me permitiram constatar qual é a expressão das experiências estudantis nas produções radiofônicas, em termos da problematização teórica proposta pela educomunicação e duas áreas de intervenção da mesma, sendo estas: a mediação educomunicativa e a gestão da comunicação. [1] Abreviação de “Alunos em Rede – Mídias Escolares”.

 

Mobilidade e educação midiática na rede municipal de São Pauloperspectivas hiper-espaciais em QR-CODE. (Marciel Consani e Paulo Teles)

O texto coloca em perspectiva as linhas pedagógicas identificadas no projeto pedagógico da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo (SME-SP), com recorte no que se refere à educação midiática. Partindo de uma breve recapitulação histórica da trajetória sobre a abordagem das mídias e suas linguagens na rede pública paulistana, avaliamos os possíveis impactos dos dispositivos móveisnetbooks e tabletsencaminhados às unidades escolares em 2012. As possibilidades de redistribuição do espaço físico pedagógico, no que tange ao acesso à informação, oferecidas pelas inovações tecnológicas da portabilidade e da conexão wireless, apesar de ricas, são desafiadoras, no contexto de uma instituição comprometida na educação formal de cerca de um milhão de alunos. Dentre as possíveis tendências aplicáveis ao contexto, enfocaremos a viabilidade da publicação em QR CODE como recurso para a veiculação de conteúdos produzidos por alunos e professores.

 


 

Painel 08 – Educação para a Comunicação

(Mediação: Cláudia Mogadouro)

 

Cineclube na escola: a experiência do Cine Leonor
(Raquel Foresti)

Um cineclube estudantil, para além de tornar acessíveis produções cinematográficas busca a educação pela, com e sobre a imagem. A construção da narrativa cinematográfica, as escolhas feitas por roteiristas, diretores e demais profissionais ligados a esta indústria, entre tantas outras questões devem servir de panorama para que nossos alunos sejam capazes de trabalhar em suas próprias criações audiovisuais, estabelecendo uma apropriação desta mídia.

 

Semiótica e fotografia: ocorrências sígnicas nas comunidades de Ilha das Peças e Ilha Rasa, em Guaraqueçaba, PR
(Fábio de Carvalho Messa; Paulo Ricardo de Carvalho do Rosário e Graciele Cardoso Lukasak)

Identificamos e analisamos algumas ocorrências semióticas presentes em sequências fotográficas realizadas nas comunidades de Ilha Rasa e Ilha das Peças durante as atividades do Grupo PIBID Mídia-Educação nas Escolas da Ilhas de Guaraqueçaba-PR. Cotejamos alguns fotogramas isolados que, postos em contexto narrativo específico, sugerem um exercício de análise semiótica que vai desde a identificação e classificação dos signos até as suas possibilidades significativas de base e contextuais, considerando os processos conotativos da metaforização e metonimização, assim como de suas condições míticas e seus decorrentes impasses ideológicos e culturais. Os registros fotográficos realizados no projeto sintetizam alegoricamente as atividades realizadas pelo grupo de graduandos em diferentes circunstâncias pedagógicas no ensino médio e fundamental dos Colégios Estaduais das Ilhas Rasa e das Peças no ano de 2012. Dentre as relações associativas entre signos e referentes e as motivações envolvidas entre signo e interpretante, foi possível estabelecer alguns parâmetros comuns como o das relações comunidade tradicional/comunidade acadêmica, meio ambiente/homem, memória digital/memória cultural.

 

Cenas de Telenovela: entre a mediação e a interação como forma de produção de conhecimento
(Adriano Miranda Vasconcellos de Jesus e Silvia Terezinha Torreglossa de Jesus)

A telenovela brasileira tem incluído em suas tramas cenas de apelo social chamando-as de ações socioeducaticas. O intuito é uma modalização do pensamento porém com aparência de serviço de utilidade pública. Partindo deste fenômeno, propomos uma plataforma de estímulos interativos que faz o usuário desenhar a comunicação que lhe convêm em seu contexto e com isso descobrir novos processos comunicativos de complexas e inusitadas dimensões culturais. De um lado a mediação televisiva, unidirecional, padronizada, irradiada de um emissor para um receptor unidimensional, inerte diante da exuberância da informação das cenas televisivas e do outro a interação das plataformas de mídias digitais com suas espontaneidades e potencialidades. A utilização das cenas de telenovelas sem considerar sua forma programada mas suas possibilidades de interação pode consolidar algumas tendências de reflexão e debate midiático com novas expansões de conhecimento no território entre a mediação e a interação.

 

A Criação do Blog Interdisciplinar para uma Escola Municipal de São Paulo
(Josete Maria Zimmer)

Este relato traz as experiências sobre a criação e manutenção de blogs interdisciplinares numa Escola Municipal da Prefeitura de São Paulo, no período em que a autora atuou nela como Professora Orientadora de Informática Educativa (POIE). A criação dos blogs esteve atrelada ao projeto pedagógico e às atividades desenvolvidas em todos os níveis de ensino da unidade escolar. Além de capacitar os professores nos horários destinados à formação, a POIE fazia atendimento aos alunos no seu horário regular e também pós-aula. A ideia inicial foi de criar um blog em parceria com os alunos que faziam parte do Projeto Educom Rádio e Grêmio, a fim de divulgar os projetos da escola. Esses alunos tornaram-se protagonistas no preparo de apresentações e programas de rádio utilizando o computador, bem como na elaboração de outras atividades.

 

18h00 – Lançamentos

 

- CCA-ECA/USP – Paulinas. Revista Comunicação & Educação, 2º semestre de 2012.

- Adilson Citelli (org). Educomunicação: Imagens do professor na mídia, São Paulo, Paulinas, 2012

- Alexandre Sayad. Idade Mídia, São Paulo, Editora Aleph e Editora Jatobá, 2012.

- Carla Schwingel – Midias Digitais. Produção de conteúdo para a web. SEPAC/Paulinas, 2012

- Gilson Schwartz. Brinco, Logo Aprendo - Games, Educação e Moralidades Pós-Modernas, São Paulo, Editora Iconomia, 2012.

- Lisbeth Rebollo. Aldo Bonadei: Percursos estéticos, São Paulo, Editora Perspectiva, 2012.

- Joana T. Puntel – Inter Mirifica. Texto e comentário e A comunicação nos passos de João Paulo II. Paulinas, 2012

- Lucilene Cury. Tecnologias Digitais nas Interfaces da Comunicação/Educação: desafios e perspectivas, São Paulo, Editora CRV, 2012.

- Muniz Sodré. Reiventando a Educação: diversidade, descolonização e redes, Petrópolis, Vozes, 2012.

- Roseli Fígaro. Comunicação e Análise do Discurso, São Paulo, Editora Contexto, 2012.

 


26 de outubro

Local - Auditório da Editora Paulinas (Vila Mariana)

08h00 - 09h00: Recepção

09h00 - 10h30: Mesa Redonda 02

Formação superior em Educomunicação

Coordenação: Prof. Dr. Adilson Odair Citelli
 - Profa. Dra. Rosane Rosa (Formação de educomunicadores, em nível de cultura e extensão, UFSM)
 - Profa. Dra. Patrícia Horta (NCE/USP, Formação em Especialização no Curso "Mídias na Educação")
 - Profa. Dra. Maria Cristina Costa (Especialização em Educomunicação, CCA-ECA/USP)
 - Profa. Ms. Danielle Andrade (Bacharelado em Educomunicação, UFCG)
-  Profa. Dra. Roseli Fígaro (Licenciatura em Educomunicação, CCA-ECA/USP)

10h45 - 12h15: Mesa Redonda 03

30 anos do SEPAC: Serviço à Pastoral da Comunicação

Coordenação: Profa. Dra. Ir. Joana Puntel (Jornalista, orientadora de pesquisa no SEPAC)
- Ms. Ir. Helena Corazza, jornalista, coordenadora de Cursos no SEPAC
- Ms. Anderson Zotesso Rodrigues, radialista e gestor cultural, Hortolândia, SP
- Ir. Egnalda Rocha, jornalista, coordenadora de comunicação na congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição – São Paulo

 

14h00 - 15h45: Painéis (de 9 a 12)

 


 

Painel 09 – Produção midiática educomunicativa I

(Mediação: Daniele Próspero)

 

- Coberturas educomunicativas nacionais e internacionais pela Agência Jovem de Notícias
(Thais Oliveira Chita; Evelyn Araripe e Vânia Correia)

O presente relato aborda o inteiro processo de planejamento, execução e avaliação das coberturas educomunicativas realizadas em dois importantes eventos de tipo internacional e nacional acontecidos no primeiro semestre de 2012: a Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável e a Cúpula dos Povos por Justiça Social e Ambiental; e as Conferências Estaduais dos Direitos da Criança e do Adolescente e sua etapa Nacional. As coberturas foram realizadas no âmbito da Agência Jovem de Notícias e contou com a participação de centenas de crianças, adolescentes e jovens mediados por uma equipe de educomunicadores. Eles contaram a história desses acontecimentos a partir de sua própria perspectiva, utilizando linguagens multimídias e intervenções urbanas e por meio de uma metodologia colaborativa, cooperativa e emancipadora.

 

 

- A produção educomunicativa do Movimento Cultural Arte Manha, do Núcleo de Comunicação Popular de Caravelas, BA
(Jamilton Galdino)

O Movimento Cultural Arte Manha, do Núcleo de Comunicação Popular de Caravelas, BA, é a expressão educomunicativa da luta de uma comunidade pela preservação das riquezas naturais de seu territorio. Com muita criatividade, toda manifestação artística, corporal e multimidiática, é colocada a serviço da criação de um ecossistema comunicativo que não apenas envolve todos os moradores do espaço geográfico local, mas atrai aqueles que buscam experiências de práticas educomunicativas de raíz.

 

 

- Educomunicação no Colégio Bandeirantes: Projeto Open City - Jovens criam soluções para uma cidade mais participativa
(Emerson Bento Pereira)

Inspirado num cenário cultural pulsante, nas novas conexões e em novas formas de pensar, nasceu o Projeto Open City. Uma parceria entre Universidade de Harvard, MIT (Massachusetts Institute of Technology) e Colégio Bandeirantes. O principal objetivo do programa é criar uma rede entre educadores, estudantes dos ensinos médio e superior e empreendedores para que, juntos, se apropriem do novo ecossistema de comunicação e assim beneficiem a sociedade com os avanços tecnológicos da nossa época. No processo de um ano, os estudantes são conectados às novas tendências criativas e culturais, que se utilizam da alta ou baixa tecnologia, e que transformam o cotidiano da cidade de São Paulo. Após essas experiências, os jovens criam sua própria inovação para uma cidade mais aberta - sempre cultivando parecerias. Em 2012, por exemplo, decidiram protagonizar o TEDxColégioBandeirantes - o primeiro caso mundial de um TED desenvolvido inteiramente por alunos do Ensino Médio.

 


 

Painel 10 – Educomunicação Sociambiental I

(Mediação: Carmen Lúcia Gattás)

 

Qual a relação entre o direito à comunicação e a educação ambiental?
(Thais Brianezi e Marcos Sorrentino)

Partindo da hipótese de que o exercício do direito à comunicação é fundamental para a construção de sociedades sustentáveis, este artigo analisa experiências situadas na interface entre a educomunicação e a educação ambiental. Em muitas práticas ambientalistas, persiste a crença de que o segredo para se mudar comportamentos é uma comunicação eficiente, objetiva. Essa visão apóia-se em um modelo mecanicista, que continua tratando os receptores como decifradores autômatos. Um dos grandes desafios da educação ambiental crítica é justamente desconstruir essa lógica utilitarista e, aí, as práticas educomunicativas podem ser aliadas preciosas, pois fortalecem a identidade dos participantes, ajudam a construir um sentido de comunidade, potencializam a ação deles e promovem o diálogo de saberes.

 

 

Experiência de Educomunicação no Parque Nacional do Pau Brasil, Porto Seguro, Bahia
(Débora Menezes)

Educomunicação Socioambiental em unidades de conservação, colaborando para a gestão participativa: esse foi o objetivo do projeto de Formação e Mobilização,Educação Ambiental e Educomunicação junto ao Conselho Gestor do Parque Nacional do Pau Brasil (Porto Seguro,Extremo Sul da Bahia), realizado no período de abril de 2011 a maio de 2012 junto ao conselho do parque e às comunidades do entorno. Neste trabalho, houve uma formação básica para o conselho do parque, atualizando-os sobre o papel das Unidades de Conservação (UCs), gestão participativa e planejamento de comunicação, até a realização de oficinas de fotografia e de comunicação comunitária, produção de um folheto (folder) e de ferramentas virtuais (blog e página da rede social Facebook). Experiências de consultoria do gênero estão sendo implementadas em unidades de conservação, que são áreas protegidas pelo Poder Público, e este relato de experiência traz o que foi de positivo no projeto e o que foi desafio,e ainda recomendações para a aplicação de projetos parecidos em outras unidades.

 

 

Uso de música em oficinas: prática educomunicativa na extensão rural/florestal, Rondônia
(Vania Beatriz Vasconcelos de Oliveira e Michelliny Matos Bentes-Gama)

Este artigo apresenta o delineamento metodológico de práticas educomunicativas com o uso de música, empregadas como auxiliar em atividades de extensão rural/florestal, em comunidades tradicionais e assentamentos rurais, na Amazônia brasileira. O enfoque da análise é predominantemente qualitativo e descritivo de três componentes da proposta metodológica: (1) a Oficina, enquanto lugar de interação social, através do uso da linguagem; (2) o discurso ambiental das músicas; e (3) a percepção ambiental de atores sociais em interação na oficina. Os resultados demonstram a possibilidade de materialização da inter-relação comunicação e educação em espaço educativo não formal, como é o caso das atividades de extensão rural/florestal, quando o objetivo é promover a difusão de soluções tecnológicas para a conservação ambiental e estimular a ação cidadã para o desenvolvimento sustentável.

 

 

Educomunicação, afeto e meio ambiente, São José dos Campos, SP
(Silene de Araújo Gomes Lourenço; Raphael Alário; Elisa M. K. Farinha; Rosana M. O. de Melo; Luciano R. M. Machado e Alexandre R. Marques)

Em espaços de Educação formal, a Educomunicação tem sido incorporada, sobretudo, para tratar de temas atuais e para lidar com problemas da contemporaneidade como aqueles causados pela dicotomia entre o homem e a Natureza. Partindo do princípio de Moreno - primeiro é preciso amar as coisas para depois analisá-las (GOTTLIEB, 1996, p.70) -, a Educomunicação se aproxima da Educação Ambiental com o objetivo de superar esse conflito e estabelecer a “relação verdadeira”, uma vez que para Martin Baber, o encontro do EU-TU (fundamento da sua filosofia) não acontece somente entre os homens, mas também entre os homens e a natureza. (Ibidem, p.74) Nesse artigo vamos refletir como a Educomunicação pode contribuir para o encontro do EU-TU construindo espaços de espontaneidade e relações de afeto entre os seres humanos e desses com o mundo à sua volta. Para tanto, partiremos da experiência da Secretaria de Meio Ambiente de São José dos Campos (Programa Revitalização das Nascentes).

 

 


 

Painel 11 – Mediação tecnológica em espaços educativos II

(Mediação: Gilson Schuwartz)

 

Gamificação da educomunicação: uma brincadeira responsável
(Thais Helena de Camargo Barros; Gilson Schwartz e José Roberto Amazonas)

O uso de tecnologia e de novas mídias nos ambientes de aprendizagem oferece outras maneiras de construir conhecimento, de acessar, compartilhar, aprender e ensinar. Cidades do conhecimento e meios de educomunicação tornaram-se veículos em que se destaca o lúdico digital. Esse relato apresenta as dimensões educomunicativas presentes nas novas formas de expressão e participação a partir de um confronto com abordagens psicanalíticas de Lacan, Bion e Freud. O campo de estudo são duas escolas da rede pública estadual cujos alunos são bolsistas do grupo de pesquisa Cidade do Conhecimento. A "Cidade" desenvolve o projeto “Moedas Criativas” em parceria com a rede internacional "Games for Change". As questões mais relevantes são as condições de acolhimento em cada escola, as interfaces e "semblantes" que povoam a construção de uma rede de comunicação associada à instituição escolar. Tal realidade envolve diversos atores na missão de ampliar a ação participativa desses jovens cidadãos.

 

 

Games, Educomunicação e Mudança Social: Magia, Religião e Ciência
(Gilson Schwartz)

Esse ensaio retoma a obra do filósofo Eugen Fink sobre o jogo para indicar como as relações entre magia, religião e ciência e atividades lúdicas ajudam a compreender o horizonte teórico e prático em que é fundada a convergência da educação e da comunicação. A perspectiva filosófica é preliminar à construção de agendas de educomunicação lúdica num momento em que a sociedade digital consagra a dinâmica da “gamification” e os videogames chegam às salas de aula, bibliotecas digitais e corredores das escolas. Na terminnologia heideggeriana, o jogo (especialmente os jogos eletrônicos que se jogam em rede) instaura potenciais de educação para a liberdade com responsabilidade nos interstícios entre estar-aí (dasein) e estar-com-os-outros (mitsein).

 

Homem-Aranha e o Educomunicador
(Francisco Tupy)

O presente trabalho tem como objetivo abordar como um personagem conhecido popularmente - o Homem-Aranha, a partir de suas diferentes interfaces midiáticas, pode proporcionar atividades ligadas a educomunicação. Serão discutidas, também, formas de intervenção perante os atores sociais e as relações que se estabelecem embasadas por paradigmas educomunicativos, sugerindo bases para novas formas de abordagens de conteúdos e mídias através de exercícios para serem desenvolvidos com os alunos. Este trabalho surge da necessidade de organização e sistematização de atividades desenvolvidas em ambiente profissional, enquadrando o conteúdo na bibliografia vigente, de modo que possa trazer contribuições a questões do planejamento de atividades.

 

 

O Livro Aberto da Educomunicação: além da Wikipedia, rumo ao Socionário
(André Jun Nishizawa)

A evolução das tecnologias tem permitido o surgimento de novas formas de leitura e educação, entre elas os livros e os novos agentes. Este paper tem o propósito de trazer à tona a evolução pela qual passou o livro, desde sua forma impressa tradicional até o formato digital e os novos agentes de socialização, na perspectiva de uma aproximação teórica e metodológica entre o livro-aplicativo-game e as práticas e modelos de gestão em educomunicação. A ênfase do trabalho desenvolvido na Cidade do Conhecimento consiste no desenvolvimento de serviços e aplicativos correspondentes no campo da Educomunicação. A partir dos conceitos básicos da educomunicação é possível iluminar a história da produção de conteúdo, games e educação. Além de ser influenciada pela evolução de novos suportes e modos de leitura na construção de aplicativos que conjugem conteúdo, sons, vídeos, games e aprendizado individual e coletivo, pesquisamos e prototipamos aplicativos na Cidade do Conhecimento voltados para a promoção de paradigmas criativos a abertos de educomunicação. O Socionário é a gamificação da produção, da circulação e do consumo de livros, da leitura e da literacia democrática alinhada aos princípios da educomunicação crítica. Criado por Gilson Schwartz, como parte do projeto “LIGAÇÃO – Literatura Infantojuvenil, Games e Ação no Sítio do Picapau Amarelo”, parceria do Instituto Todo Mundo, Universidade de Taubaté, Secretaria de Turismo de Taubaté, CIESP e FIESP do Vale do Paraíba e o grupo de pesquisa “Cidade do Conhecimento”.

 


 

Painel 12 – Educomunicação e Saúde

(Mediação: Izabel Leão)

 

A Contribuição da Educomunicação para a Educação sobre Drogas
(Elda de Oliveira e Cássia Baldini Soares)

O estudo toma por objeto a educação sobre drogas veiculada aos jovens pela mídia. A revisão da literatura revelou uma educação/comunicação nos modelos tradicionais e higienistas da educação em saúde, onde os jovens são tomados como desprovidos de conhecimentos, e os autores colocam-se como detentores do saber e buscam esclarecer aos jovens, com pouca interação com eles. A Educomunicacao se contrapõe a essa educação, pois propõe o ecossistema comunicativo, com a preocupação central de ouvir o que os jovens têm a dizer a fim de instrumentalizálos, considerando-os políticos capazes de realizar práticas criativas capazes de mudar suas realidades microssociais, chegando ao macrossocial através de Políticas públicas.

 

 

Botsuana: Educomunicação para a mudança de comportamento em HIV/AIDS
(Hércules Barros e Maria Rehder)

Vinte e nove de maio de 2012. Depois de quase 15 horas de viagem, dois técnicos do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais (Ministério da Saúde) chegam em Gaborone, capital de Botsuana. A missão: ministrar a formação Educommunication for Development and Behavior Change for HIV/AIDS, uma formação em Educomunicação para o desenvolvimento e para a mudança de comportamento em HIV/AIDS para mais de 40 participantes de um Workshop, promovido no âmbito da cooperação internacional entre Brasil e Botsuana. A atuação conjunta entre os dois países faz parte de um modelo de cooperação internacional que rompe com a prática tradicional assistencialista unilateral. Denominada como Cooperação Sul-Sul, a iniciativa de países em desenvolvimento prioriza estratégias que enfatizam programas e parcerias que deixem um legado de qualificação e de transferência de tecnologia, além de compartilhar lições em relação à saúde e comunicação.

 

 

Educomunicação e Saúde Pública: projeto desenvolvido pelo Centro Educacional Marista Irmão Acácio de Londrina, PR
(Juliana Ladeira Moreira da Costa e Gustavo Santos Silva)

Relataremos a experiência transdisciplinar entre linguagens arte-educativas do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos do Centro Educacional Marista Irmão Acácio – Londrina/PR, acerca de temas relacionados à Saúde Pública. Juntamente com as demais linguagens, a Educomunicação contribuiu, principalmente, no processo de elaboração de audiovisuais sobre o tema. Nesse sentido, apresentaremos o processo de planejamento de ações entre educandos e educadores com o intuito de estender as discussões, e, o processo de construção de nove audiovisuais. Dentre eles, estão oito Stop Motions abordando o tema saúde; e, um documentário focado na questão da Saúde Pública relatando visitas a estabelecimentos comerciais, unidade básica de saúde e hospital da Zona Norte, próximos do Centro Educacional Marista Irmão Acácio.

 

 

A Educomunicação na formação do profissional da Saúde Pública, parceria FSP/USP e NCE-USP
(Ana Maria Cervatto; Ana Maria Gambardella; Izabel Leão)

Alunos de graduação do curso de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública (FSP), da Universidade de São Paulo (USP), no decorrer da disciplina obrigatória de Educação Nutricional, em parceria com o Núcleo de Educação e Comunicação, da Escola de Comunicação e Artes da USP, da Rádio e TV USP, bem como, da disciplina Telemedicina (USP), e do TIC, desde 2009, produzem programas de rádio e vídeos, a partir dos conceitos disseminados pela educomunicação, para transmitir noções de alimentação e nutrição dirigidas para a população em geral. Os graduandos utilizaram abordagem pedagógica problematizadora nestas estratégias, a fim de que o público-alvo perceba, a partir de seu próprio conhecimento, a importância de uma alimentação saudável e de como praticá-la. Essas produções são então veiculadas, seja pela Radio, pela TV, ou mesmo, pela Internet (Youtube), sendo avaliadas pela população-alvo.

 

 

16h00-17h30 - Painéis (de 13 a 16)

 


 

Painel 13 - Formação superior em Educomunicação

(Mediação: Richard Romancini)

 

Educomunicação: prática curricular em tempos de web. Vivências na Licenciatura em Educomunicação da ECA/USP
(Claudemir Edson Viana)

Este texto apresenta experiência ocorrida na disciplina Produção de Suporte Midiático para Educação, do curso de Licenciatura em Educomunicação, da ECA/USP, em que os aos alunos foi proposto o desafio de criação de um novo fascículo para a Coleção Ensinar e Aprender no Mundo Digital, produção da ONG CENPEC, em suporte digital e creative commons. Para tanto, o processo contou com a exploração de recursos das redes sociais, no caso o facebook, que é objeto de análise deste trabalho. Palavra-chave: Educomunicação, suporte digital, redes sociais, educação superior

 

Imersões Educomunicativas: uma estratégia para a formação do educomunicador
(Beatriz Truffi Alves e Mauricio da Silva)

A Imersão é uma proposta da Disciplina Atividades Acadêmicas, Científicas e Culturais do curso de Licenciatura em Educomunicação da ECA/USP e busca proporcionar um momento de vivência, reflexão e ação a partir do acompanhamento de projetos que atuam na interface: comunicação e educação. As Imersões visam quebrar a rigidez acadêmica e teórico-conceitual, criando oportunidade para o contato com a práxis educomunicativa e para o diálogo sobre a atuação do educomunicador. Há dois tipos de Imersão: as Internas, caracterizadas por serem oferecidas pelos próprios alunos e, as Externas, que abrangem oportunidades em instituições que desenvolvem ações relacionadas à educomunicação. O trabalho aqui apresentado busca contextualizar e caracterizar as Imersões, mostrando um panorama das atividades realizadas ao longo dos três semestres iniciais do curso, implementado a partir de 2011, na busca por identificar aspectos teórico-metodológicos que contribuem para a formação do educomunicador. Palavras-chave imersão; educomunicação; formação do educomunicador; práxis educomunicativa; educação entre pares.

 

O processo de orientação na produção da monografia do Programa “Mídias na Educação”
(Márcia Duarte Carvalho e Patrícia de Oliveira Ramos)

O presente trabalho analisa o desenvolvimento da etapa de orientação à monografia, parte constituinte do curso de Especialização, no Programa de Educação a Distância Mídias na Educação, oferecido pelo MEC que objetiva a formação de professores da rede pública para a utilização de ferramentas e linguagens midiáticas na escola. Em São Paulo, o curso é organizado pelo NCE em parceria com a UFPE. Integrantes da equipe de coordenação do Programa, as autoras analisam a experiência de Orientação, quando os professores-cursistas são acompanhados por orientadores a fim de desenvolver uma monografia autoral que aborde temas específicos e decorrentes da interface entre mídias e educação. Este trabalho traz uma reflexão sobre a orientação, referindo-se aos instrumentos utilizados nesta prática, buscando perceber como algumas categorias valorizadas pela educomunicação foram operacionalizadas durante o processo. Procura-se discutir os desafios da realização de um trabalho monográfico de qualidade.

 

Educomunicação e o curso de Publicidade e Propaganda
(Ana Flávia de Luna Camboim)

Na Educomunicação, se fala sobre a comunicação aplicada na educação. Mas a questão que incomoda é: a Educação tem se comunicado, mas quem tem educado a Comunicação? Percebemos uma carência de ações que tragam questionamentos à prática dos Comunicólogos. Sendo assim, resolvemos discutir as possibilidades da aplicação dos princípios educomunicativos no ensino da Publicidade, estudando um caso que apresenta traços deste paradigma, desenvolvido pelos estudantes da disciplina Redação Publicitária, que se volta para os próprios publicitários: o blog Caroço de Jaca. Este foi concebido pela autora com a pretensão de ser uma ferramenta pedagógica. Os posts tinham um teor analítico e crítico sobre anúncios. Os resultados percebidos foram: interação, discussão sobre a disciplina, com o propósito de refletir sobre os recursos utilizados na comunicação, gerando inquietações que podem ser projetadas nas produções publicitárias, o que nos traz a esperança de uma comunicação comercial educada.

 
 

 

Painel 14 - Produção midiática educomunicativa II

(Mediação: Márcia Coutinho)

 

Aproximações entre a Educomunicação e o Jornalismo Participativo: O Papel da TV Pública
(Eliane Pereira Gonçalves)

O jornalismo participativo é uma prática que ganha corpo com as novas tecnologias de informação. Telefones celulares, câmeras fotográficas digitais e conexão com a internet fazem de cada cidadão um repórter em potencial. A expressão comunicativa que resulta desse processo pode, em alguns momentos, se aproximar de uma prática educomunicativa. Nesse artigo, vamos refletir sobre o conceito de educomunicação e pontuar em que momentos produtos audiovisuais feitos pelo público podem ser resultado de um processo que se aproxima desse conceito e quando essa produção é apenas mais um acessório do jornalismo regular ou, o que chamamos aqui de “jornalismo bancário”. A partir do quadro “Outro Olhar”, veiculado pela TV Brasil, vamos pontuar as diferenças entre a participação acessória e aquela que assume o protagonismo sobre narrativa e vamos refletir sobre o papel das emissoras públicas de televisão na legitimação dos processos educomunicativos.

 

 

O mito das mulheres de branco – curtas-metragens produzidos nos colégios das Ilhas de Guaraqueçaba-PR
(Alexandre Batista de Almeida e Nathani Mirella Valvazori dos Reis)

No projeto PIBID Mídia-educação nas escolas das Ilhas de Guaraqueçaba-PR produzimos, a partir de relatos orais de membros das comunidades das Ilhas, com os alunos dois curtas-metragens: A Noiva do Pé de Guanandi, na Ilha Rasa, e A Mulher de Branco, na Ilha das Peças. O objetivo foi o de dar visibilidade às Lendas em linguagem audiovisual para que haja um registro narrativo além da enunciação oral, e para que seja possível refletir sobre os mitos e sua perpetuação nas comunidades. A partir do teor informativo das declarações, foi possível roteirizar cenas ficcionais, nas quais os estudantes interpretaram e encenaram determinadas passagens das lendas. A equipe de produção é formada pelos estudantes organizados em sonoplastas, operadores de câmera, atores, roteiristas e diretor, com a orientação do coordenador e dos acadêmicos bolsistas da UFPR Litoral. Após os processos, apresentamos os curtas para as comunidades, no que resultou em um estudo de recepção sobre a audiência dos filmes.

 

 

TV Cedro Rosa, EMEI Eunice dos Santos, São Paulo
(Marcelo Augusto Pereira dos Santos)

Será apresentada a experiência educomunicativa de uma escola do ensino infantil da cidade de São Paulo que decidiu propiciar as condições para que crianças de 6 a 8 anos possam dominar os recursos da comunicação, especialmente o vídeo, para fazer estudos de espaços (com suas realidades humanas) por elas escolhidos, documentando-os e apresentando-os sob o olhar de quem está em pleno processo de construção de referenciais para viver bem entre si, com a natureza e com o mundo.

 

 

Via Autopolis: Apresentação e Primeiros Resultados
(Mário Lapin)

Autopolis é um game educacional criado para oferecer ao jovem condutor uma abordagem divertida, crítica e envolvente acerca dos desafios e problemáticas que relacionam cidadania, trânsito, e segurança. É distribuído em conjunto com um roteiro para professores especialmente produzido para o projeto, que visa motivar e orientar educadores na sua aplicação em sala de aula, incentivando atividades didáticas que fortaleçam o discernimento crítico e a inserção cidadã. O game e o roteiro são componentes do projeto “Jogo da Vida em Trânsito”, frutos da parceria entre estúdio Virgo, Fundação Volkswagen e Cidade do Conhecimento da Universidade de São Paulo. O "Jogo da Vida em Trânsito" teve início em janeiro de 2011, com 12 meses de pesquisas e desenvolvimento. Já em 2012, aplicações exploratórias com 9 municípios do estado de São Paulo envolveram 60 professores e aproximadamente 2 mil alunos, gerando resultados e impressões preliminares, que são compartilhadas neste paper.

 


 

Painel 15 - Educomunicação Sociambiental II

(Mediação: Carmen Lúcia Gattás)

Jornalismo Comunitário em Embu das Artes
(Indaia Emília Schuler Pelosini)

Este relato aborda o jornalismo comunitário praticado em Embu das Artes por meio do site do Movimento Salve Embu das Artes e do Jornal Salve Embu das Artes criados em 2011 para combater a ameaça de destruição da cultura, da arte e do meio ambiente pela informação e educação, empoderando a população. A problemática socioambiental de Embu das Artes chegou ao ápice com as discussões sobre o Plano Diretor. A mudança do zoneamento nas áreas verdes, últimos fragmentos de Mata Atlântica, compromete de forma irreversível a vocação turística e o desenvolvimento sustentável ao permitir a instalação de galpões e logística. O Movimento Salve Embu das Artes trouxe à tona as questões socioambientais, as ilegalidades praticadas pelo poder público, criando um espaço para o conhecimento e troca de informações numa prática educomunicativa, sendo um agente mobilizador, fomentando a participação popular e o exercício da cidadania.

 

 

A importância das Abelhas para Nossa Vida: experiência educomunicativa da EMEF Marechal Deodora do Fonseca, São Paulo
(Stella Maris Custodio e Dulce do Céu Pereira Carossa)

A EMEF Marechal Deodoro da Fonseca/SP desenvolveu o projeto a partir de indagações do educando quanto a produção alimentar, durante atividade de campo. Pesquisas ocorreram e desequilíbrios nas relações ecológicas foram constatados. Sensibilizados produziram textos, vídeos, desenhos e pinturas que foram apresentados em classe. Divulgar o assunto se tornou necessário e grupos organizados desenvolveram croquis com proposição de ideias para expressão comunicativa em arte e exposição para comunidade.

 

 

Educomunicação e Infoeducação para o desenvolvimento local: relato de diálogos, narrativas e práticas de ações ambientalistas
(Sônia Barreto de Novaes)

O conceito de dialogia abordado tanto por Bakhtin como Buber tem sido valorizado na análise e na pesquisa de processos tanto comunicacionais quanto educacionais. Essa perspectiva é discutida no horizonte da pesquisa colaborativa que atualmente a “Cidade do Conhecimento” desenvolve em Piracaia (interior paulista). Observa-se nas narrativas coletadas e nas ações culturais e de ambientalistas o protagonismo dos "interatores" que enfrentam o desafio da apropriação de informações veiculadas em redes sociais para conscientizar (no sentido Freriano) a comunidade em nome de um desenvolvimento local inclusivo, emancipatório e sustentável. A dialogia se manifesta na fala e nas ações requerendo de seus atores a responsividade e a presentidade, competências fundamentais para a formulação, a implementação e a mobilização da comunidade para projetos de desenvolvimento local.

 

 


 

Painel 16 – Pedagogia da Comunicação II

(Mediação: Maria Salete Prado Soares)

 

Uma pauta para ir além do vestibular – relato da experiência de um curso de Jornalismo no Ensino Médio
(Ivan Paganotti)

É impossível conter o contágio das mídias na escola (Citelli, 2006): mesmo proibindo celulares por parte dos alunos, ou evitando planos de aula calcados em aparatos midiáticos, temas discutidos em novelas, filmes, músicas ou na imprensa povoam o imaginário de docentes e discentes, e influenciam suas expressões. Diretrizes curriculares demandam discussão e prática midiáticas na escola (Soares, 2011), ecoando a pressão mercadológica (de pais ou editoras) por maior uso de tecnologias em classe. O artigo analisa uma década de experiência educomunicativa em uma escola privada de ensino médio de São Paulo: o curso de Jornalismo do Colégio Stockler parte da leitura crítica de relatos e comentários sobre atualidades (foco dos vestibulandos), mas também incentiva e discute a apropriação de práticas midiáticas. Assim, os estudantes debatem e produzem artigos, fotos ou apresentações por meio de um blog, refletindo sobre suas escolhas (como a definição de suas futuras carreiras) e seus contextos.

 

 

Objetos de aprendizagem e seu papel na construção do conhecimento
(Douglas Gregorio Miguel)

A relação entre a educação e as tecnologias digitais de informação e comunicação - TICs - é um tema imprescindível para os processos educomunicacionais. Os objetos de aprendizagem, nessa relação, surgem como elementos vetoriais catalisadores das ações e reações na aquisição, apropriação e construção dinâmica do conhecimento. A ação estruturadora do pensamento exercida pelos objetos de aprendizagem levam a transpor o paradigma da educação verticalizada da informação transmitida de professor para aluno, para uma educação horizontalizada de troca e construção conjunta do saber a partir do compartilhamento em rede.

 

 

Educomunicação: alguns aportes para a disciplina de geografia – um estudo de caso na E.E. Professora Avelina Palma Losso
(Adilson Aparecido Costa; Marcia Reami Pechula e Nanci Aparecida Costa)

A presente pesquisa tem como objetivo central o estudo da construção da Educomunicação no espaço escolar, a fim de verificar como acontece a transposição do discurso à prática, a partir da análise dos conteúdos pertinentes à disciplina de Geografia, contidos num instrumento de comunicação produzido no ambiente escolar, a saber: jornal escolar. O trabalho buscará ainda compreender (a partir da disciplina de Geografia), a importância da Educomunicação e a viabilidade da implementação de projetos educomunicacionais nas escolas públicas estaduais do Estado de São Paulo, a partir do “estudo de caso” da E. E. Professora Avelina Palma Losso. Temos ainda a preocupação de discutir a relevância do papel social da Educomunicação para a construção do conhecimento por parte do aluno e garantir a socialização de tais conhecimentos com a comunidade que se localiza no entorno da escola.

 

 

Transposição da linguagem literária para a linguagem audiovisual: a comunicação na prática pedagógica
(Eliana Nagamini)

O objetivo deste trabalho é apresentar uma atividade didático-pedagógica de elaboração de adaptações de obras literárias para a linguagem audiovisual, como estratégia motivadora da leitura, realizada no Curso de Secretariado da Fatec -São Paulo. O programa da disciplina Língua Portuguesa e Literatura abrange uma diversidade de gêneros textuais, dentre eles o texto literário. A produção de pequenos vídeos, resultado da leitura de obras literárias, revelam diferentes formas de apropriação do texto e de interpretação e, além disso, o fato de os alunos tornarem-se produtores, na medida em que reconstroem a obra literária, concebe a eles um papel significativo no processo de ensino-aprendizagem. Observamos que fatores de mediação, principalmente aqueles que tiveram origem na formação escolar, são determinantes para as escolhas durante a produção do vídeo, seja para a construção de uma paródia ou para a estilização da obra original.

 


 

27 de outubro

Local – ECA/USP – Cidade Univeristária (Butantã)

09h00 - 10h30: Mesa Redonda 04

Reunião aberta da ABPEducom – Associação Brasileira de Profissionais e Pesquisadores da Educomunicação
Este espaço será destinado um diálogo entre os fundadores da ABPEducom e os participantes do IV Encontro Brasileiro de Educomunicação. Não terá caráter deliberativo, mas consultivo.

10h30 -13h00 - Mesa Redonda sobre a ABPEducom

Assembléia Geral dos sócios da ABPEDUCOM

 


 

Painel 17 – Mediação tecnológica em espaços educativos III

(Mediação: Lucilene Cury)

Produção colaborativa - perspectiva multidisciplinar na leitura do texto “Tecnologias digitais para a educação e a comunicação”, de Maria Teresa Quiroz
(Alunos da Disciplina Tecnologias Digitais em Espaços Educativos CCA 59142 sob coordenação da Profª
Lucilene Cury)

A partir da leitura do artigo “Tecnologias digitais para a educação e a comunicação”, da professora e pesquisador peruana - Dra.Maria Teresa Quiroz - que faz parte do livro Tecnologias digitais nas interfaces da comunicação/educação – desafios e perspectivas, organizado pela Profa. Dra. Lucilene Cury, realizou-se um trabalho coletivo entre os alunos e a professora da Disciplina Tecnologias Digitais em Espaços Educativos (2012), do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação, da ECA/USP, com o objetivo principal de utilizar vários suportes de aprendizagem, a fim de melhor desenvolver o processo educativo. Como queríamos mostrar o resultado à autora, aproveitamos a oportunidade para com ela dialogar em videoconferência. Assim, temos a um só tempo, o autor, sua obra e a recepção colaborativa de um grupo de pós-graduandos, também professores das diferentes áreas do conhecimento e em níveis também diferentes de ensino.

 


 

Painel 18 – Reflexão epistemológica sobre o campo da educomunicação II

(Mediação: Lula Ramires)

 

O Educomunicador depois de Kaplun
(Fabio Rogério Nepomuceno)

Há alguns cursos informais e formais, inclusive em nível de graduação, sobre educomunicação. Imaginamos que estes cursos formarão ou capacitarão educomunicadores. Mas o que é um educomunicador? Voltaremos à primeira definição de educomunicador, proposta por Mario Kaplún em sua obra O Comunicador Popular, afim de compará-la com a atualização da definição, feita pelo Professor Ismar de Oliveira Soares. O campo chamado educomunicação, na interface entre educação e comunicação, foi identificado a partir de estudos do Núcleo de Comunicação e Educação da ECA / USP, e recebeu este nome porque Kaplún denominou os atores desta área como educomunicadores. Tentando entender qual é hoje a efetiva prática deste profissional ou deste ativista proponho analisarmos os perfis de alguns educomunicadores atuantes.

 

Educomunicação e Escola: Cruzamento de Caminhos
(Patrícia Fabíola Scandolara)

As maneiras de interação com o mundo, as percepções que permeiam o eu e o outro, e os modos como orientamos nossas práticas educacionais, encontram-se em constante e irrefreável mutação diante das novas formas de comunicação sensorial e de todas as imagens que derivam delas. O caminho que se busca percorrer neste artigo é o de como a escola se apresenta inserida no tempo vivido, no sentido das reflexões sobre os papéis dos sujeitos e objetos segundo a escola tradicional e suas inter-relações com o campo da educomunicação. A escola se mostra muitas vezes resistente às mudanças que refletem as interconexões entre a educação e a comunicação, apesar de perceber-se mergulhada nesta complexidade comunicacional e diante da necessidade de acompanhar a expansão dos conceitos sedimentados, seguindo os fluxos da miscigenação, da conexão das idéias e das práticas discursivas, através de análises, reflexões e movimentos que modifiquem os “lugares comuns” do contexto escolar. Agregando novos olhares e interpretações mais complexas dos espaços escolares e das inter-relações que se estabelecem entre educação e comunicação. O paradigma da educação implica em acolher o espaço interdiscursivo da mídia comunicacional como produtora de cultura que funda o campo de inter-relação entre comunicação e educação. Questão que reafirma a necessidade urgente de mudanças. Teóricos do campo da educomunicação defendem a idéia de que a escola precisa se abrir e acompanhar o ritmo dos indivíduos em transição que nelas estão inseridos. Trocar o controle regulador e normativo, por uma autonomia criativa, onde aluno e professor sejam colocados lado a lado em diálogo constante, para construírem experiências compartilhadas, podendo dar sentido ao mundo em que vivem.

 

Educomunicação como metodologia de ensino
(Eduardo Wagner Neto)

Aplicado no Centro Educacional Marista Curitiba, todo o desenvolvimento tem por foco uso de mídias digitais com a educação, aplicando essas tecnologias com oficinas direcionadas, dentre as quais utiliza-se: Rádio: Instalada e administrada na escola pelos educandos, com materiais provindos de doações, é utilizada para divulgação de notícias e também como entretenimento, músicas são pesquisadas entre as turmas e os estilos definidos, além da criação de vinhetas engraçadas com chamadas divertidas para conquista dos ouvintes. Facebook: Uma página do projeto com fotos, vídeos, informações e demais dados da unidade, funcionando como um portfólio em tempo real com o desenvolvimento dos projetos utilizando-se da linha do tempo para um acompanhamento cronológico de todas as atividades. Youtube: Canal criado para armazenamento e também divulgação dos vídeos e podcasts desenvolvidos. São realizados trabalhos com temas como saúde pública, meio-ambiente, migrações e demais temas.

 

Educomunicação e a Educação Física: iniciando uma discussão em busca de aproximações
(Alan Queiroz da Costa)

A Educação Física enquanto disciplina vem transformando sua prática pedagógica com a utilização de diferentes mídias como ferramentas pedagógicas. Na escola essas mudanças também passam a ser uma realidade, apesar de ainda ser difícil encontrar propostas com um olhar mais amplo sobre esse movimento. O presente texto sugere a análise de uma experiência pedagógica na disciplina Educação Física à luz da teoria da Educomunicação. A partir dessa referência, pudemos identificar na prática pedagógica sugerida, indicadores das seguintes áreas de intervenção social da educomunicação: 1. educação para a comunicação; 2. mediação tecnológica nas práticas educativas e 3. expressão comunicativa. Conclui-se que essa identificação pode ser considerada como a afirmação concreta da possibilidade de inte(g)ração entre as áreas propostas.

 

 


 

Painel 19 – Pedagogia da Comunicação III

(Mediação: Carlos Eduardo Lourenço)

 

Mimetismo midiático nas experiências esportivas das escolas das Ilhas Rasa e das Peças, em Guraqueçaba, PR.
(Felipe Macagnani e Jeziel da Silva Malaquias)

Ao decorrer da História o homem sempre foi alvo de estudo de várias ciências. Existem muitas indagações que ainda não foram respondidas sobre ele e possivelmente nunca serão, uma vez que o homem é um ser em constante evolução. Desde os primórdios, observava-se seu comportamento e seu meio de vida até os dias de hoje, um dos aspectos que se pode observar e é algo notório em seu desenvolvimento, é a existência ou ocorrência do “mimetismo” nas suas diversas fases. Nos dias de hoje, não é difícil identificar o mimetismo no meio social das pessoas e num mundo cada vez mais informatizado e tecnológico, observa-se a existência da mímica nas mídias, ou seja, o “Mimetismo Midiático”. Sabe-se que a Mídia tem grande influência na sociedade. Seja ela televisiva, impressa ou até mesmo na rede mundial de computadores é possível observar sua influência política econômica e social, mais objetivamente em comportamentos, pensamentos e nas atitudes das pessoas. Esse fenômeno foi identificado nas escolas de ensino fundamental e médio da Ilha Rasa e Ilha das Peças locais onde se desenvolve o projeto Mídia-Educação. Com alguns trabalhos e algumas atividades práticas, pôde-se observar a influência que a mídia exerce naquela região. A mimetização de comerciais televisivos e a influência de personagens da mídia atual como artistas e astros do futebol, por exemplo. Ciente do poder de atuação da mídia, diversas instituições políticas e empresariais, por exemplo, buscam influenciar, atrair ou até mesmo convencer pessoas de suas ideias. O Laboratório de Mídia da Universidade Federal do Paraná - setor litoral, em parceria com o “Pibid” (Programa institucional de bolsas para Iniciação a Docência), ciente da existência e da presença destes fenômenos na região, vem desenvolvendo o projeto de MÍDIA-EDUCAÇÃO nas escolas de ensino fundamental das ilhas do município de Guaraqueçaba a fim de refletir sobre os assuntos que permeiam a cultura midiática na sociedade contemporânea bem como desenvolver senso crítico aos estudantes acerca das mídias atuais. Nessas ilhas onde se desenvolvem estes estudos é fácil também perceber a existência de muitas tradições locais bem como a existência de muitas lendas, é certo que em épocas passadas o que se encontrava nessas comunidades eram somente assuntos, fatos, dialetos e comportamentos diretamente relacionados à vida “caiçara” e as características locais. Hoje observamos adolescentes usando vestimentas, ouvindo músicas de outras regiões, por exemplo, fato que induz os mesmos a adquirirem comportamentos não compatíveis com os locais e consequentemente extinguindo ainda mais suas tradições o que seria uma perda inestimável para a região. Educando-os “sobre a mídia”, “com a mídia”, e “para as mídias” de forma teórica, prática e dinâmica, procura-se fazer com que não sejam simplesmente consumidores e mímicos da comunicação de massa mas sim produtores e críticos das mídias.

 

 

Narrativas do cotidiano escolar: o papel dos gestores na integração das tecnologias
(Sandra Antônio Convento de Moura Ferraz)

O presente artigo é um recorte da pesquisa de mestrado que está sendo realizada no programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade de Sorocaba. O objetivo da pesquisa é analisar as narrativas cotidianas do gestor escolar, suas memórias midiáticas e as possibilidades de mediação e apropriação de diferentes linguagens nas relações de ensino, advindas das tecnologias da comunicação e informação. Diante da inserção das mídias e tecnologias no cerne da escola, deriva o problema desta pesquisa: Qual o papel do gestor na integração das mídias e tecnologias nas relações de ensino? A perspectiva adotada é a histórico-cultural (Vygotsky), dialogando com as contribuições da teoria enunciativo-discursiva (Bakhtin). A metodologia está pautada na pesquisa narrativa. Os procedimentos metodológicos são: técnica do grupo focal, observação e análises das narrativas cotidianas. Palavras-chave: narrativas; cotidiano escolar; tecnologias; gestor; memórias midiáticas.

 

 

Ciência para todos: educação científica dentro dos ônibus de Belo Horizonte
(Juliana Ladeira Moreira da Costa e Gustavo Santos Silva)

O Projeto Ciência para todos busca com sua metodologia, inserir no cotidiano dos usuários do sistema coletivo de ônibus da cidade de Belo Horizonte o conhecimento científico produzido pelo Instituto de Ciências Biológicas da UFMG. Através da adequação de textos radiofônicos produzidos para o programa Na Onda da Vida da rádio UFMG Educativa, esse projeto transforma os textos de linguagem radiofônica (mais oral) e os adequa para a linguagem escrita (mais formal). Os bolsistas de diferentes áreas do conhecimento executam a transposição das linguagens, elaborando novos textos. Lâminas então são produzidas e afixadas nos ônibus. Após a inserção dos textos, os bolsistas realizam entrevistas com os usuários dos ônibus a fim de obterem dados importantes para a mensuração do impacto gerado pelo projeto. Assim, esse trabalho pretende descrever a realização das atividades, discutir os resultados obtidos nessa atividade de educação não formal em ciências e analisar os aspectos do projeto que podem ser melhorados, de acordo com a visão do usuário de ônibus.

 

 

Projetos Didáticos e Laboratório de Informática: uma integração possível?
(Cristiane Mataruco Duarte Rittes)

Este estudo apresenta os resultados de uma investigação realizada em duas escolas municipais na Cidade de São Paulo, analisando a relação dos professores com o Laboratório de Informática no que diz respeito à integração dos mesmos aos projetos didáticos desenvolvidos em sala de aula. Para tanto foi aplicado um questionário sobre o uso de computadores na escola numa amostra de professores. Dividido em duas partes, o questionário procurou investigar a relação dos professores com o uso dos computadores e da internet, tanto no trato pessoal quanto no profissional, envolvendo seus alunos e o Laboratório de Informática. Deste acervo de informações, a pesquisa pretendeu analisar os contextos e processos envolvidos nas práticas pedagógicas quando do uso dos laboratórios de informática das escolas observadas.

 

 


 

Painel 20 – Educomunicação: da resistência ao “empoderamento”

(Mediação: Marcela Weigert)

 

Caracterização do medo de escrever e a resistência às novas tecnologias
(Gerson Tavares do Carmo)

O artigo objetiva constituir um topos de discussão sobre o medo de escrever e a comunicação. Sentir-se bem ou ter uma relação amigável com a escrita é uma exceção, a regra é o medo, o desconforto. A escassez de produção sobre o medo de escrever sugere um sinal que aponta para uma possível omissão acadêmica em relação ao seu correspondente sintoma: a dificuldade com a escrita de textos acadêmicos. Na sondagem realizada com docentes-alunas de uma turma de Pedagogia da UENF/RJ, verificou-se que o medo de escrever articulado com a resistência ao uso das novas tecnologias interfere negativamente em seus processos de comunicação, seja pela falta de desejo ou esforço. Entretanto, indaga-se, se na condição de narradoras-autoras, a partir de Benjamin, não seriam provocadas em sua necessidade humana de comunicação e, portanto, em seu desejo e esforço quanto a escrita e ao uso de estratégias alternativas para lidar com as novas tecnologias necessárias a produção de sua autoria.

 

 

O papel do orientador pedagógico na integração das tecnologias no ambiente escolar: projeto de  pesquisa do Programa “Mídias na Educação”
(Andréia Regina de Oliveira Camargo)

O presente trabalho teve como objetivo investigar as possibilidades de ação dos orientadores pedagógicos, quanto a integração das mídias e tecnologias no ambiente escolar. Inicialmente buscou-se a promoção de reflexões por meio do grupo focal, no intuito de analisar as concepções, práticas, contextos, desafios, enfim, inúmeras informações que contribuíssem com a pesquisa, trazendo-nos indícios das reais possibilidades e limitações na atuação deste profissional. A dinâmica da pesquisa possibilitou a compreensão de que a constituição destes profissionais e de suas respectivas práticas, decorrem dos significados e sentidos construídos nas relações e interações sociais, marcados pela história e cultura de cada sujeito, corroborando assim com os pressupostos da perspectiva histórico-cultural (Vigotski e Bakhtin), aporte teórico assumido nesta pesquisa. No decorrer da pesquisa, teoria e empiria se entreteceram, desvelando e compartilhando possibilidades adiante as condições, limitações, angústias e contradições vivenciadas no âmbito educacional.

 

Pensar a mídia e a educação nas escolas das ilhas de Guaraqueçaba-PR
(Graciele Cardoso Lukasak; Paulo Ricardo do Rosário de Carvalho e Fábio de Carvalho Messa)

A intervenção e o desenvolvimento dos meios em massa de comunicação nos espaços escolares e privados, tem implicado mudanças na configuração das subjetividades e relações sociais, e tem mostrado formas outras de produzir a cultura e interatuar com ela. Para além dos textos escritos, os quais constituíram a base tecnológica para o desenvolvimento do pensamento analítico e crítico, caracterizados por um modo de representação peculiar da imagem em todas suas expressões, transgride as formas de percepção tradicionais para dar passo a outras novas (Varela, 2002), as quais têm importantes e diversas repercussões cognitivas, motivacionais e afetivas. Neste contexto, esse trabalho visa enfatizar a relevância de uma preparação para formar indivíduos capazes de interatuar de maneira responsável, meditada e cautelosa com os meios de comunicação, principalmente quando fala-se no âmbito da educação.

 

Educomunicação no alvorecer do rádio brasileiro: o legado de Roquette-Pinto
(Lourival da Cruz Galvão Júnior)

Edgard Roquette-Pinto caracterizou-se no início do século passado não somente como educador e pioneiro da radiodifusão, mas principalmente como agente de transformação social responsável por promover ações que chegaram a se aproximar dos princípios que norteiam a Educomunicação. Ainda que influenciado por intenções e propósitos decorrentes do contexto e do tempo histórico em que esteve inserido, o rádio de Roquette-Pinto atuou como meio comunicacional usado para um fim educativo. O planejamento e a gestão das ações empreendidas por Roquette-Pinto revelaram uma evidente intencionalidade educomunicativa. Tal tendência, na atualidade, pode ser admirada por sua exemplar clareza ao servir de referência para diversas empreitadas radiofônicas em andamento. Constata-se que, ao completar 90 anos da primeira transmissão oficial no Brasil, o rádio reapresenta-se como veículo plural e versátil, pronto para futuras experiências educomunicativas.

 

Painel 21 – Outras Vozes da USP

(Mediação: Ricardo Alexino Ferreira e Maria da Glória Marcondes)

 

Outras vozes da USP: a entrevista biográfica para resgatar as histórias dos invisíveis sobre a maior universidade da América Latina. 

(Alunos da disciplina Psicologia da Comunicação - CCA 0278 sob coordenação do Prof. Ricardo Alexino)

 

Existe uma forte relação entre o indivíduo enquanto sujeito e a sua função social. Nota-se que quanto mais básicas e operacionais são as funções de trabalho de uma pessoa maior poderá vir a ser a sua invisibilidade e a pouca importância atribuída pela sociedade e mesmo pelo próprio indivíduo, que se conforma com a sua insignificância atribuída. Pensando nessa perspectiva os alunos da disciplina Psicologia da Comunicação, oferecida pelo Departamento de Comunicações e Artes, identificaram quem são os invisíveis da USP. Perceberam que os trabalhadores terceirizados e mesmo alguns funcionários concursados são invisíveis para os demais segmentos da USP, como professores e alunos. Tal distinção é bastante marcante ao se analisar a estrutura social da Universidade. Os professores colocam-se como não sendo funcionários ou servidores, mas “professores”. Assim é muito comum encontrar frases como: “professores e funcionários” em diversos documentos oficiais e não-oficiais, quando na verdade o mais correto seria entender que todos são servidores públicos estaduais e as diferenças de funções são servidores professores e servidores técnico-administrativos. Ao se tratar dos terceirizados a diferença é mais marcante, pois eles são quase inexistentes enquanto sujeitos, apesar do número significativo desses trabalhadores dentro da estrutura da USP, e ocupam a base da pirâmide. Para identificar e humanizar esses indivíduos os alunos fizeram uma série de entrevistas biográficas em que tiram da invisibilidade os que estão todos os dias presentes exercendo as suas funções pelos corredores e salas, quase sempre no “alto de suas vassouras”. A proposta do trabalho exercido foi reconstituir a história não-ofical da USP, contada quase sempre apenas pelos professores e pesquisadores e reverter o sistema de castas, naturalmente colocado no cotidiano da USP, para transformar os “dalits” em sujeitos visíveis no processo histórico da universidade. Foram filmados vários depoimentos (em recurso de entrevistas biográficas) com trabalhadores terceirizados e alguns funcionários concursados da USP.