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A Licenciatura em Educomunicação, a ser instalada na ECA/USP,  pelo Departamento de Comunicações e Artes, em fevereiro de 2011, terá um desafio pela frente: como promover um diálogo de seus alunos com o fenômeno que se torna cada vez mais evidente na sociedade contemporânea: a convergência midiática.

Para tanto, a questão será objeto de diferentes disciplinas, a começar do primeiro semestre do curso, quando os alunos  dialogarão com os fundamentos teóricos que dão embasamento para compreender a natureza da prática multimiática própria do exercício profissional do educomunicador.

Para ilustrar o fenômeno, trazemos, a seguir, o gráfico dos autores King e Turban (2004), comentado pelo Prof.  Marcos Luiz Mucheroni, do CBD-ECA/USP.

Adoção de mídia: impacto e convergência

Ainda que esta análise não seja abrangente, porque uma análise mais ampla deveria incluir a oralidade primária (a comunicação anterior à escrita manuscrita) e a oralidade secundária (a comunicação posterior à escrita impressa), uma análise realista e longe dos mitos  (cito dois como os mais usados: a concorrência das mídias e a inadequação de alguma mídia) o gráfico dos autores (King e Turban, 2004) é altamente esclarecedor por se tratarem de dados, ou fatos como diria um jurista, e contra fatos não há argumentos.

O período de análise de 4 mídias vai de 1992 a 2004, sendo a abscissa vertical em milhões de pessoas nos EUA, embora sinta-se a falta do cinema,  pode-se verificar dois momentos  claros nas curvas:  um primeiro momento mais íngreme inicial (exceção ao rádio porque enquanto mídia eletrônica concorria apenas ao cinema, por isto talvez a ausência) e um segundo mais suave chamado convergência que demonstra o fenômeno discutido por diversos autores (Negroponte, 1995), (Burke,  2004) e (Johnson, 2006), não apenas evidenciando este fenômeno, mas explicitando que as mídias são alternativas.

Figura 1 – O gráfico da adoção das curvas para as diversas Mídias. Fonte: (King e Turban, 2004).

O gráfico demonstra que se num primeiro momento (da curva íngreme) uma nova mídia segura o avanço da outra, no gráfico notar o surgimento da internet (o correto seria a Web) as curvas de TV e TV a cabo freiam sua curva de crescimento no momento seguinte (no gráfico pouco antes do ano 2000, elas convergem e passam a crescer juntas apresentando no final o mesmo número de usuários, o que indicam que eles usam as mídias alternativamente.

Duas conclusões são possíveis, primeiro:  que o surgimento das mídias de fato causa um impacto (a curva mais íngreme no começo de uma nova mídia) e a convergência num momento seguinte demonstrando que passam a um processo de “convivência” e não concorrência.

Referências:

- BURKE, P. “Convergência”,  in: Uma história social da mídia. trad. Maria Pádua Dias. Rio de Janeiro: Jorge Zahar ed., 2004.

- JOHNSON, G. (2006). “Conferência sobre a tendência para o futuro digital”.  Disponível em: http://mlonlinegeneration.wordpress.com/2006/09/29/as-cinco-tendencias-para-o-futuro-digital-por-greg-johnson/ , acesso em:  agosto 2008.

- KING, D.e TURBAN, E. Comércio Eletrônico: Estratégia e Gestão, PEARSON EDUCATION DO BRASIL, 2004, pag. 135.

- NEGROPONTE, N. Vida Digital, Companhia das Letras, Brasil, 1995.