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Educomunicadores contestam movimento contra Paulo Freire


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Um grupo de 80 entidades e de 400 personalidades nacionais lançaram nesse dia 16 de agosto, na sequência ao Dia do Professor, o Manifesto COLETIVO PAULO FREIRE POR UMA EDUCAÇÃO DEMOCRÁTICA.

O movimento se justifica pela tentativa de grupos ultraconservadores atuantes no Congresso Nacional de provocar um autêntico exílio à memória do maior educador do país, tirando de Paulo Freire o título de “Patrono da Educação Brasileira”

Entre as entidades que assinam o documento estão a ABPEducom (Ismar de Oliveira Soares, Presidente e Maria Rehder, Vice-Presidente), o NCE/USP (Claudemir Edson Viana, Coordenador) e a SBPjor (Cláudia Lago, Presidente). O Instituto Paulo Freire lidera o movimento.   

 

Precursor da Educomunicação, desde os anos de 1960

A razão do apoio ao Manifesto por parte da ABPEducom, do NCE/USP e da SBPjor deve-se ao fato de Paulo Freire ter sido considerado como um dos grandes precursores da Educomunicação. Foi ele o responsável pela expressão “Comunicação Dialógica”, apresentado em seu livro “Extensão ou Comunicação” (Chile, 1968), onde defendeu que, para haver comunicação, há que existir reciprocidade, nunca passividade, e que o diálogo é o que caracteriza a comunicação. Sobre esse tópico, devemos lembrar que, mais adiante, em 1978, o teórico latinoamericano Luís Ramiro Beltrán, ao redefinir o conceito da comunicação, em seu famoso artigo “Adeus a Aristóteles: comunicação horizontal”, baseou-se em Freire para afirmar que a Comunicação deve ser entendida como um processo de interação social democrático baseado no intercâmbio de símbolos mediante os quais os seres humanos compartilham voluntariamente suas experiências sob condições de acesso livre e igualitário, diálogo e participação. Exatamente, o que garantem os educomunicadores.

 

A introdução ao Manifesto: o pensador brasileiro mais reconhecido no mundo

Os proponentes do Manifesto em favor de Paulo Freire, entendem que o educador foi, essencialmente, um homem generoso e coerente. Afirmam, no início de seu documento:

Movimentos ultraconservadores querem tirar de Paulo Freire o título de “Patrono da Educação Brasileira”. As signatárias e os signatários deste Manifesto expressam sua contrariedade perante tamanha injustiça, fruto do desconhecimento da pedagogia como ciência, da História da Educação e da própria História do Brasil. Para quem desconhece os fatos, é necessário apresentar, brevemente, quem foi Paulo Freire. Paulo Freire é o pensador brasileiro mais reconhecido no mundo, sendo considerado um dos maiores educadores da História. Como cidadão, sonhou em alfabetizar todas as brasileiras e todos os brasileiros, criando a principal proposta emancipadora de Educação de Jovens e Adultos, na perspectiva da Educação Popular e da Educação como Direito Humano. Paulo Freire foi, essencialmente, um homem generoso e coerente. Sua produção teórica e leitura de mundo alimentaram sua prática cidadã e política – e por elas foram alimentadas. Criador de uma pedagogia viva, concebeu a educação como apropriação da cultura, e teorizou uma prática pedagógica alicerçada na conscientização das cidadãs e dos cidadãos por meio do diálogo entre o(a) educador(a) e o(a) educando(a).

 

Paulo Freire, Patrono da Educação Brasileira, desde 2012.

Informa o Manifesto:

Dedicada à emancipação plena de crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos, a teoria freireana busca a construção de uma sociedade mais humanizada, afirmando que é preciso que todas e todos aprendam a ler o mundo e as palavras, ampliando os repertórios, desenvolvendo o senso crítico, a autonomia intelectual e a solidariedade. Diante da grandeza de sua vida e obra, Paulo Freire foi o brasileiro mais homenageado da História. Entre inúmeras honrarias, foi laureado com 41 títulos de Doutor Honoris Causa de universidades distribuídas por todo o mundo, sendo Professor Emérito de cinco universidades, incluindo a Universidade de São Paulo (USP). Também foi agraciado com diversos títulos da comunidade internacional, como o prêmio da UNESCO de Educação para a Paz, em 1986. Pedagogia do oprimido (1968), considerada sua obra-prima, é a terceira mais citada em toda a literatura das Ciências Humanas, segundo pesquisa realizada por Elliott Green, professor associado à London School of Economics. Entre 1989 e 1991, Paulo Freire foi Secretário de Educação do Município de São Paulo, na gestão da então prefeita Luiza Erundina. Até hoje é considerado o melhor gestor educacional da história paulistana, reconhecido tanto pela rede municipal quanto pelos estudiosos da gestão pública, chegando a ser aclamado “Presidente de Honra da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime)”. Em 13 de abril de 2012, por meio da Lei 12.612/2012, de autoria da deputada federal Luiza Erundina, Paulo Freire foi declarado Patrono da Educação Brasileira, em aprovação unânime no Congresso Nacional. Esse reconhecimento fez jus, em solo nacional, às homenagens que o educador nordestino, nascido em Recife (Pernambuco), já tinha obtido e acumulado ao redor do mundo.

Os educomunicadores que desejarem aderir a esse Manifesto devem enviar e-mail para paulofreirepatrono@gmail.com informando seu nome, formação ou função. Aderir a esse Manifesto é, antes de tudo, um ato de cidadania e responsabilidade histórica.

 

Leia a íntegra do Manifesto e manifeste-se

MANIFESTO contesta movimento contra Paulo Freire