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Licenciatura em Educomunicação


O Departamento de Comunicações e Artes (CCA) reúne 17 docentes, cumprindo diferentes funções no espaço da ECA/USP: na Graduação, oferece disciplinas para os demais cursos da Escola, atendendo uma média de 1.100 alunos a cada semestre; na Pós-graduação, integra três diferentes programas, nas áreas da comunicação e das artes; na Cultura e Extensão, mantém dez centros de pesquisa, apresentando-se como o departamento da USP com maior densidade na oferta de cursos, tendo atendido mais de 35 mil interessados nos últimos doze anos. Entre as ações, destacam-se, no momento, o Curso “Gestão da Comunicação”, em nível e especialização e, na modalidade a distância, colabora com o MEC na implementação do curso “Mídias na Educação”, no Estado de São Paulo, através de uma equipe de educomunicadores vinculados ao NCE- Núcleo de Comunicação e Educação. Edita a Revista “Comunicação & Educação”, a mais consultada na elaboração de pesquisas de mestrado e doutorado, em todo o país. A partir de 2011, passou a oferecer um curso próprio de graduação: a Licenciatura em Educomunicação.

Histórico

O Departamento de Comunicações e Artes da ECA/USP deu início, em 28 de fevereiro de 2011, ao curso de Licenciatura em Educomunicação, acolhendo a primeira turma de 30 alunos. A nova proposta abriu um campo diferenciado de atuação para um novo profissional: o educomunicador.
A iniciativa decorre da demanda que emerge no contexto da Sociedade da Informação, tanto na esfera da educação formal (sistema de ensino regido pelas Diretrizes para o Ensino Fundamental de Nove Anos; ações decorrentes do plano de reforma para o Ensino Médio, além das práticas de EaD), não formal (o trabalho com infância e juventude, envolvendo a recepção e a produção midiáticas) e informal (a produção dos meios de comunicação - como a TV o rádio e os recursos digitais - direcionada à infância e juventude ou, de alguma forma, relacionada à educação e cultura).

Instalado o curso de Educomunicação da USP

Acesse aqui as perguntas mais frequentes

Licenciatura na mídia

Entrevistas com o Professor Ismar sobre Educomunicação, na Internet

Educom na Fuvest 2011

Educomunicação na Feira das Profissões

No caso, o novo projeto de formação universitária parte da contribuição das Ciências Humanas, especialmente dos campos da Comunicação e da Educação, bem como das práticas sociais relacionadas aos âmbitos da produção midiática, dos estudos da recepção, do uso social e pedagógico das tecnologias em processo de educação formal e não formal, no Brasil e na América Latina.

Nesse contexto, o novo curso destina-se a preparar, simultaneamente, um professor de comunicação para a educação básica, especialmente o ensino médio e um consultor tanto para para o próprio sistema educacional, quanto para as organizações, veículos de comunicação e empresas envolvidas com o tema.
Enquanto professor, o educomunicador irá suprir a demanda criada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional quando, já nos meados da década de 90, introduziu a comunicação, suas tecnologias e suas linguagens como conteúdos e como suportes metodológicos no ensino médio brasileiro.
Enquanto consultor, o educomunicador poderá prestar serviços no espaço dos meios impressos, audiovisuais e digitais, assim como em projetos mantidos por organizações e empresas, voltados para a gestão da comunicação em ambientes educativos ou em áreas de produção destinadas à educação.

Estrutura do curso

A Licenciatura em Educomunicação terá a coordenação do Departamento de Comunicações e Artes da ECA/USP. Será oferecida no período noturno, com duração de oito semestres. O programa prevê disciplinas teóricas, envolvendo o campo da comunicação e as teorias da educação, trabalhadas sempre de forma interdisciplinar, assim como disciplinas voltadas para a prática educomunicativa, possibilitando ao aluno situar-se na sociedade da informação e tomar conhecimento das novas exigências que decorrem do complexo mundo em que as novas gerações passam a viver, nesse início do século XXI. A complementação pedagógica será feita mediante frequência a disciplinas da Faculdade de Educação, bem como da realização de estágios nas diversas áreas de atuação do profissional da área: a docência, a consultoria e a pesquisa.

Perfil do novo profissional

O educomunicador será preparado para aproximar seu perfil ao de um gestor de comunicação no espaço educativo. Um profissional que conhece suficientemente, de um lado, as teorias e práticas da educação, e, de outro, os modelos e procedimentos que envolvem o mundo da produção midiática e do uso das tecnologias, de forma a exercer atividades de caráter transdisciplinar, tanto na docência quanto na coordenação de trabalhos de campo, na interface comunicação/educação.

Nos dois casos, espera-se deste profissional a habilidade para gestionar conflitos e a criatividade para encontrar soluções que melhorem os processos educativos, sejam os formais (escolares) quanto os não formais (desenvolvidos pelas organizações sociais) e, finalmente, os informais (implementados pelos meios de comunicação voltados para a educação e cultura).

Professor de Comunicação

O educomunicador será preparado para aproximar seu perfil ao de um gestor de comunicação no espaço educativo. Um profissional que conhece suficientemente, de um lado, as teorias e práticas da educação, e, de outro, os modelos e procedimentos que envolvem o mundo da produção midiática e do uso das tecnologias, de forma a exercer atividades de caráter transdisciplinar, tanto na docência quanto na coordenação de trabalhos de campo, na interface comunicação/educação.
Nos dois casos, espera-se deste profissional a habilidade para gestionar conflitos e a criatividade para encontrar soluções que melhorem os processos educativos, sejam os formais (escolares) quanto os não formais (desenvolvidos pelas organizações sociais) e, finalmente, os informais (implementados pelos meios de comunicação voltados para a educação e cultura).

Atuação no Ensino Médio

Justamente neste momento, o MEC se mobiliza em torno de uma reforma do ensino médio que atenda as necessidades da educação integral do jovem brasileiro. Pesquisas apontam que apenas 13% dos estudantes que concluem o ensino médio passam ao ensino superior. No entanto, durante décadas, todos os estudantes, independentemente de seu destino após o segundo grau, têm sido conduzidos a cumprir, nos anos de sua formação secundarista, uma rotina de aprendizagem induzida pelos exames vestibulares. Este modelo de educação, em vigência por décadas seguidas, acabou, em consequência, por naturalizar e legitimar a fragmentação do ensino em conteúdos estanques.
 

O que o governo pretende, hoje, é justamente promover uma mudança nessa mentalidade, favorecendo, em última instância, a busca por caminhos transdisciplinares, permitindo um contato mais íntimo com a cultura local e as diferentes formas de expressão, preparando os estudantes do ensino médio para um diálogo mais próximo com a empregabilidade e a prática da cidadania.
É exatamente para oferecer ao sistema de ensino profissionais em condições de colaborar com as propostas de mudanças em vigor que a ECA-USP decidiu, em colaboração com a FE-USP oferecer a nova oportunidade de formação docente.
Se o ensino médio integral exige profissionais em condições de atender à diversidade de atividades requeridas, não podemos nos esquecer do ensino médio profissionalizante que se apresenta, hoje, como um espaço absolutamente aberto ao estudo e à prática da comunicação no espaço escolar.

Na Campus Party: entrevistando G. Gil

Um das áreas de atuação do novo profissional situa-se na essessoria para o desenvolvimento dos projetos com o uso das tecnologias midiáticas que se multiplicam, especialmente nas experiências dos ensinos infantil e fundamental, em todo o país. Recentemente, a imprensa noticiou que a EMEI Antônio Munhoz Bonilha, de ensino infantil, na Vila Mirante, vinculada à rede municipal de educação de São Paulo, inaugurou a primeira rádio mirim do Brasil, a Rádio Jacaré FM. A professora Ana Paula Emilio Escudeiro, responsável pela rádio, conta que na prática as crianças fazem uma lista de sugestões de pauta e elegem as prioridades. Com o microfone conectado ao computador da escola, fazem as gravações das matérias. Depois, as crianças ouvem e falam sobre o que não gostaram e sobre o que gostariam que permanecesse. Todas as etapas de gravação e edição são feitas com a participação dos alunos. Ao lado delas, contudo, está sempre um educomunicador formado nos programas de aperfeiçoamento da própria prefeitura, iniciados em 2001, com o Educom.rádio, oferecido pela USP.
Na Campus Party de 2010, igualmente em São Paulo, a presença de adolescentes do ensino fundamental entrevistando especialistas e autoridades, entre as quais o cantor Gilberto Gil, editando, em seguida, programas em suas web-rádios ou produzindo notas para blogs, fazia parte do cenário da grande feira-congresso sobre o uso das tecnologias em espaços culturais. Ao lado de cada grupo, um educomunicador fazia-se presente.
Como em São Paulo, os sistemas de ensino de todo o país vêm preparando seus especialistas em educomunicação através de cursos de aperfeiçoamento ou mesmo de especialização, como o Mídia na Educação, curso a distância, do próprio MEC, atendendo, no momento, mais de 50 mil profissionais em todo o país. Aliás, o Núcleo de Comunicação e Educação da USP, responsável pela implantação do Mídias no Estado de são Paulo, emprega educomunicadores tanto na produção de conteúdos quanto no atendimento aos cursistas.

Consultoria ao Terceiro Setor

No âmbito da consultoria, o educomunicador exerce função de analista e assessor de organizações do terceiro setor, de empresas, de estabelecimentos de ensino e de organismos públicos, no planejamento e implementação de projetos na interface comunicação/educação. Espaços para o educomunicador, como consultor ou gestor destes projetos, não faltam, portanto.

Na verdade, cada vez mais, organizações privadas, impulsionadas pelo conceito da responsabilidade social, aproximam-se do mundo infanto-juvenil, com propostas de prestação de serviços nas áreas da redução da violência, da formação para a cidadania e da empregabilidade, incentivando programas voltados à alfabetização midiática e ao uso das tecnologias para ampliar a mobilidade da nova geração frente a um mundo cada vez mais competitivo.

Exemplos conhecidos foram os desenvolvidos em todo o país, nos anos 90, do Instituto Ayrton Sena, sob a bandeira da “educação pela mídia”. No momento, uma associação de ONGs tem na educomunicação seu referencial teórico-metodológico. Trata-se das instituições vinculadas à Rede CEP- Comunicação, Educação e Participação (www.redecep.org.br). Pois bem, uma quantidade crescente de iniciativas está à espera de especialistas na inter-relação comunicação/ tecnologia/educação.

Atuação na Mídia

Um dos campos mais promissores de atuação para o novo profissional é a própria mídia, incluindo, neste espaço, os veículos impressos e as emissoras de rádio e de TV que implementam, de forma crescente, programas e projetos voltados para a educação. O educomunicador não substitui os tradicionais

profissionais da comunicação, mas agrega valor às equipes por seus conhecimentos específicos sobre a natureza da inter-relação comunicação/educação. Outro campo de trabalho promissor é representado pelos cen

tros independentes de produção midiática e pelas universidades e empresas que dão suporte aos projetos de educação a distância.
 

Entre as experiências educomunicativas bem sucedidas, na fase que precedeu o lançamento da licenciatura, encontra-se a produção, por educomunicadores do NCE- USP, de 80 edições consecutivas da página “Pais e Mestres”, distribuidas, aos domingos, pelo Jornal da Tarde, em São Paulo. No caso das TVs educativas ou culturais, a área de trabalho para o novo profissional passa a ser reconhecida por gestores como Lúcia Araújo, gerente do Canal Futura que, em entrevista recente, declarou que a emissora tem planos de aproveitamento imediato de educomunicadores para reforçar seu quadro de atuação na sua relação com a sociedade e o sistema educativo do país.

Curso de Especialização, na ECA/USP

O caminho da graduação não é o único quando se pensa na formação de especialistas para a Educomunicação. Encontramos pelo país outras modalidades, com menor duração. São os cursos de aperfeiçoamento e os de especialização. Ao longo de toda a primeira década do século XXI, a ECA/USP ofereceu cursos de extensão, especialmente a professores das redes públicas, tanto na modalidade presencial quanto a distância. A partir de 2012, dará início um curso de 600 horas, denominado Especialização em Educomunicação: Comunicação, Mídia e Educação. Os interessados podem obter informações pelo endereço <cca@usp.br>. Tel: 3091 4081 (ramal 200).