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Estrutura do Curso

Estrutura pedagógico-curricular

Apresentação

Iniciamos retomando o conceito de Educomunicação. Recordamos, inicialmente, que o termo foi ressemantizado por pesquisadores do Núcleo de Comunicação e Educação, vinculado ao Departamento de Comunicações e Artes, no final dos anos de 1990, para designar “o conjunto das ações inerentes ao planejamento, implementação e avaliação de processos comunicativos, assim como de programas e produtos com intencionalidade educativa, destinados a criar e fortalecer ecossistemas comunicativos abertos, criativos, sob a perspectiva da gestão compartilhada e democrática dos recursos da informação” .

A definição entende como “espaços educativos” todo ambiente onde existe intencionalidade de se promover a formação humana, como a escola, um centro cultural, uma emissora de TV ou de rádio, um centro produtor de materiais educativos analógicos e digitais, um centro promotor de educação a distância ou mediados por tecnologias, entre outros. A Educomunicação é compatível com todas as modalidades da educação: a formal (escolar, curricular), a não formal (popular, não sistemática) e a informal (midiática, esporádica).

Com este significado, assim que anunciado na revista Contato, então publicada em Brasília (novembro de 1999), pelo gabinete do Senador Artur da Távola, o conceito da Educomunicação ganhou estrada, mobilizando empreendedores culturais, comunicadores e educadores, convertendo-se, aos poucos, em política pública ao ser adotado por programas governamentais, gerando, por outro lado, um conjunto significativo de pesquisas acadêmicas, especialmente na ECA/USP.

Foi em São Paulo, também em novembro de 1999, que o Ministério da Educação acolheu publicamente e pela primeira vez o conceito, após tomar conhecimento dos resultados da pesquisa do NCE/USP, incorporando-os ao documento final de encontro “Mídia e Educação” que reunira 150 empresários, produtores e autoridades do campo da Comunicação social e da educação de todo o país, incluindo fundações como a Roberto Marinho e organizações da sociedade civil, como a ANDI – Agência de Notícias pelo Direito da Infância. Dizia o documento: "Reconhecemos a inter-relação entre Comunicação e Educação como um novo campo de intervenção social e de atuação profissional, considerando que a informação é um fator fundamental para a Educação".

Na mesma lógica, o documento recomendava às universidades que flexibilizem seus currículos, inserindo conhecimentos e práticas da área educacional para que o profissional de Comunicação tivesse a possibilidade de ampliar sua atuação como Educomunicador, definindo-o como "o novo profissional que atua ao mesmo tempo no campo da Educação e da Comunicação, motivado pela formação de cidadãos críticos, participativos e inseridos em seu meio social".

Desde 2001 o Núcleo de Comunicação e Educação (NCE/USP) implementou diversos projetos junto à prefeitura de São Paulo, além das Secretarias da Educação dos Estados de São Paulo, Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul e Brasília. A pesquisa do NCE/USP também detectou que foi na sociedade civil, no espaço das lutas políticas contra as ditaduras na América Latina e na defesa dos interesses das minorias em países como o Brasil, que a Educomunicação se forjou e ganhou densidade. No caso, não foi exata ou exclusivamente a perspectiva da melhoria da performance didática do professor através do uso das tecnologias (tecnologia educativa) o que caracterizou o movimento, mas expressamente a luta social pelo direto à expressão, mediante a definição de políticas de ação para os agentes culturais, entre eles, numerosos professores. Nesse sentido, foi também nas agências a serviço do movimento social, no amplo espaço da denominada educação popular que a Educomunicação se legitimou, mediante o emprego do teatro, da música, dos boletins mimeografados, das rádios comunitárias e do vídeo popular, ao longo das décadas que constituíram a segunda metade do século XX. Somente mais tarde, já nos anos 80, é que o procedimento chega à esfera pública e começa a ser notado no ambiente escolar.

Pesquisa desenvolvida pela Profa. Maria Immacolata Vassalo Lopes, no final dos anos 90, deu conta de que um total de 10% dos egressos dos cursos da Escola de Comunicações e Artes da USP voltava-se, na época, para o campo da Educação. Entendemos que não há problema em estender tal estatística e aplicá-la como válida para o caso dos egressos de outros cursos de Comunicação pelo país. O fato vem ganhando significado, levando em conta especialmente a resistência das Faculdades de Comunicação, seus currículos, professores e alunos, em considerar os espaços da educação como um possível mercado de trabalho.

Diferentemente das Faculdades de Comunicação, ainda resistentes, o sistema de meios de Comunicação ampliou consideravelmente, a partir do início dos anos 90, o espaço oferecido aos temas educacionais, tanto nos meios impressos como nos audiovisuais, como revelam as pesquisas da ANDI . O mesmo se diga sobre o interesse do espaço escolar para o uso da mídia, para o que contribuiu, decisivamente, de um lado, o barateamento dos equipamentos e, de outro, a introdução nas estruturas curriculares dos denominados temas transversais, legitimados pela regulamentação da Lei de Diretrizes de Bases da Educação, a partir de 1996. Esta conjunção de fatores permitiu que mídia e escola encontrassem temas convergentes que, em última análise, passaram a justificar uma visita mútua em seus respectivos âmbitos de atuação. Tornou-se, assim, mais fácil para a mídia justificar o empenho de muitos de seus produtores em ingressar em assuntos de interesse para a educação, especialmente na área documental, enquanto, do lado da educação, muitos professores sentiam-se estimulados a incentivar seus alunos a usarem novas linguagens na produção de seus trabalhos escolares, aproximando-os da esfera midiática. Muitos dos comunicadores da mídia assim como educadores das escolas formais passam a se identificar, publicamente, como efetivos “Educomunicadores”, sempre que a condução dos processos em que exercem protagonismo guarda similaridade em termos de determinados procedimentos, como a preocupação com a dialogicidade do processo.

A resposta da USP frente ao que descrevemos foi a criação de uma Licenciatura em Educomunicação que passou a figurar entre os cursos oferecidos pela ECA desde 2010.

A breve descrição que acabamos de apresentar desconsidera, ainda, o que se oculta à nossa vista: o imenso trabalho que se realiza em todo o continente envolvendo programas e projetos de Educomunicação e seus milhares de protagonistas, adultos e jovens, que apenas agora começam a ter a oportunidade de refletir sobre sua ação e de descrever suas histórias de vida.

A operacionalização do curso

O Curso de Especialização em Educomunicação terá duração de 590 horas.

Ocorrerá em três modalidades:

1ª. Aulas presenciais, ministradas em dois semestres letivos, com o desenvolvimento de uma sequência de 12 Núcleos Temáticos;

2ª. Atividades complementares, monitoradas pelo corpo docente, num equilíbrio que favoreça o processo ensino-aprendizagem e

3ª. A produção orientada de monografia acadêmica focada numa proposta de prática educomunicativa, ocupando um terceiro semestre letivo, incluindo encontros e seminários /workshops, que serão realizados com o objetivo de auxiliar o aluno nessa etapa de análise e conclusão de seu projeto.

Desse modo, o Curso, sem deixar de lado a excelência acadêmica, torna-se acessível a profissionais que, engajados no mercado de trabalho , nem sempre dispõem de todas as noites da semana, em horário rígido, para continuarem sua formação educacional.

Essa dinâmica possibilitará ao aluno agilizar as etapas empíricas do desenvolvimento de seu projeto. Evitando a concentração de atividades de um só gênero, esse fluxo de trabalho possibilita uma aprendizagem mais eficaz.